No caos da pandemia, o Romenão mostra futuro possível do Brasileirão. Os motivos:

A primeira rodada do Campeonato Brasileiro, em suas três divisões iniciadas, já teve adiamento de jogos por conta da contaminação de Covid-19 em vários clubes, como o Goiás, e já teve elencos viajando com contaminados, como na Série C. O Ypiranga (RS), por exemplo, viajou a Brusque com seis positivados, diagnosticados na manhã do jogo, com a delegação já em Santa Catarina. Estas situações surgindo já no começo da temporada dão uma prévia do que pode acontecer: uma cópia do Romenão, com direito a mudanças repentinas nos calendários, equipes com jogos a menos e campeão decidido horas antes do prazo estipulado pela UEFA.

Adiamentos mil

A Liga I 2019-20 foi paralisada em 12 de março por conta da pandemia de Covid-19, e retornou em 13 de junho. Já deveria ter retornado no dia anterior, mas casos da doença no Botoșani e no Dinamo adiaram seus jogos contra Universitatea Craiova e Chindia Târgoviște, respectivamente. O famigerado protocolo era direto, e diferente do visto no Brasileiro: qualquer caso no clube significava o adiamento.

O resultado foi óbvio: diversos adiamentos nos meses seguintes, até que as datas disponíveis começaram a ficar cada vez mais raras. O campeonato terminou no início de agosto, com o Dinamo Bucareste tendo cinco partidas por disputar. O clube, numa crise que já teria falido qualquer outro com um pingo a menos de tradição, havia se tornado um foco de Covid-19, com quase 20 casos.

Chindia Târgoviște, Astra Giurgiu e Hermannstadt tiveram dois jogos a menos cada, enquanto Universitatea Craiova, FCSB e Sepsi, um. Sete times de 14 não puderam cumprir seu calendário.

Final em mata-mata (nos pontos corridos)

Com o caos no campeonato, a Federação Romena de Futebol (FRF) precisava de uma definição. Nos últimos dias, o Astra Giurgiu teve casos de Covid-19, e não havia mais datas. CFR Cluj e Universitatea Craiova disputavam o título ponto a ponto. O CFR Cluj ultrapassou seu rival em jogos disputados e pontos ao vencer um mistão/juvenil do FCSB, que já não lutava por mais nada e praticamente cedeu a vitória. O Universitatea Craiova não pôde jogar com o Astra e reassumir a liderança na penúltima rodada, por conta dos casos de Covid-19 no adversário.

A última rodada já estava marcada, mas teve adiamento: Universitatea Craiova e CFR Cluj se enfrentaram no Ion Oblemenco, em Craiova, em 3 de agosto, a última data da UEFA para definição das temporadas. Havia um impasse: se o jogo terminasse empatado, quem seria campeão e iria à Champions League? Afinal, o CFR Cluj tinha nove jogos e 46 pontos. O Craiova, oito jogos e 44 pontos. Os oltênios poderiam retomar o topo com o jogo contra o Astra, que não teria mais como ser realizado.

A FRF, horas antes da partida, decidiu: em caso de empate, a última rodada do Romenão, um campeonato de pontos corridos, teria um jogo com prorrogação e pênaltis, para definir o campeão. Não foi necessário. O CFR Cluj venceu de virada por 3 a 1 e foi campeão, abrindo vantagem de cinco pontos.

Rebaixamento revisto

Em modo normal, seriam dois times rebaixados diretamente, e o antepenúltimo disputaria a repescagem com o terceiro colocado da segundona. Este era o padrão. Mas com tantos casos de Covid-19 e times impedidos de disputar todos os seus jogos em tempo hábil, a FRF mudou tudo.

Apenas o último colocado, Chindia Târgoviște, corre risco de rebaixamento, pois passa a ser o clube que disputa a repescagem contra o Mioveni. Clubes como Dinamo Bucareste e Politehnica Iași se safaram do rebaixamento. Da segunda divisão, subiram os tradicionalíssimos UTA Arad e Argeș. A conta é simples: a pandemia transformou o Romenão, que tinha 14 clubes desde 2015-16, em um campeonato com 16 clubes pela primeira vez desde 2005-06.

Com tudo que aconteceu na  primeira rodada do Campeonato Brasileiro de 2020, é difícil imaginar desfechos como os da temporada romena?

Romênia na pandemia

Consta no boletim epidemiológico de 11 de agosto emitido pelo Ministério da Saúde da Romênia que foram registrados 63.762 casos de Covid-19 no país, com 2.764 mortes. Entre as 16h de segunda, 10, e as 16h de terça-feira, 11 (horários de Brasília) foram registradas 35 mortes.

A população da Romênia, de acordo com estimativa de 2019, é de 19.405.156. Mais de 5 milhões de romenos vivem fora do país.

Levando em consideração a população estimada do Brasil (210.147.125), o país deveria ter pouco menos de 30 mil mortos para estar na mesma proporção da Romênia em mortes/população. Tem mais de 100 mil.


Foto: Baiaram lamenta gol perdido na ”final” do Romenão: realidade imaginável no Brasil | Universitatea Craiova/Divulgação

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