Com estádio lotado, Rapid e Steaua fizeram o clássico da temporada na… Quarta divisão!

Os torcedores do Academia Rapid veem no clube o sucessor real do Rapid, com três títulos do Romenão e 13 Copas (foto: Digisport)
Os torcedores do Academia Rapid veem no clube o sucessor real do Rapid, com três títulos do Romenão e 13 Copas (foto: Digisport)

A partida de maior destaque deste final de semana e da temporada na Romênia até agora foi, com certeza, o clássico entre Rapid e Steaua, realizado hoje com placar final em 1×1 no Giulești, o lendário estádio “rapidista”. E o confronto entre estes dois nomes gigantes foi válido pela 8ª rodada da quarta divisão romena, a Liga IV. Mas antes de poder explicar a viabilidade deste clássico e contar esta história, é preciso responder à pergunta básica: Como o Steaua jogou contra o Rapid na Liga IV se o Steaua está na Liga I?

Steaua x Steaua

A partir do segundo semestre de 2014, o Ministério da Defesa da Romênia e o Exército, liderados pelo Coronel Florin Talpan, venceram processos contra o dono do Steaua Bucareste, Gigi Becali. Assim, Becali, que comprou o Steaua em 2003, perdeu os direitos sobre a marca Steaua na Justiça, sendo obrigado a mudar o escudo do clube e o nome. Oficialmente o nome do Steaua que está na primeira divisão é Fotbal Club FCSB (uma sigla que, implicitamente, significaria Fotbal Club Steaua Bucareste).

Com a brecha, o Exército, que é a entidade fundadora do Steaua em 1947, (re)fundou o CSA (Clubul Sportiv a Armatei – literalmente Clube Esportivo do Exército) Steaua, na quarta divisão, iniciando suas atividades na temporada 2017-18. Assim, existem hoje o Steaua do Exército (na Liga IV) e o Steaua de Becali (sob a nomenclatura oficial FCSB, na Liga I). O time do Exército conta com apoio de importantes ídolos, como o atacante Marius Lăcătuș e o técnico aposentado Emerich Jenei, ambos campeões europeus com o Steaua. O clube de Becali também conta o apoio de lendas, como Helmuth Duckadam (goleiro que defendeu quatro pênaltis contra o Barcelona na final europeia de 1986) e o ex-lateral direito Dan Petrescu, hoje técnico do CFR Cluj.

Rapid x Rapid

O Rapid, por sua vez, passa por uma situação tão complicada quanto esta. Após ter terminado a temporada 2015-16 na zona de acesso para a Liga I, o clube não conseguiu evitar a falência. Assim, em agosto de 2017, foi fundado pela prefeitura do Setor 1 de Bucareste a Academia Rapid, clube com a marca do Rapid original. Atuando na Liga IV, o time conta com ídolos da história do clube fundado em 1923, como o técnico Constantin Schumacher e os atacantes Daniel Pancu, de 40 anos, e Daniel Niculae, de 35. Niculae, que estava no Astra Giurgiu na última temporada, é também o presidente do clube.

Mas as coisas não são tão simples assim. Também na Liga IV, está o AFC Rapid, que pertence a um grupo de torcedores e subiu da Liga V na última temporada. Academia Rapid e AFC Rapid se enfrentaram na 6ª rodada, no Giulești, com vitória de 3×0 para o time de Pancu e Niculae, numa partida melancólica e com protestos dos fãs pela união dos clubes.

O futebol romeno têm dado grandes exemplos de público nas divisões inferiores. Hoje foi a vez de Rapid x Steaua (foto: reprodução/TelekomSport)
O futebol romeno têm dado grandes exemplos de público nas divisões inferiores. Hoje foi a vez de Rapid x Steaua (foto: reprodução/TelekomSport)

Rapid x Steaua

Foi com este histórico de confusões e tragédias do futebol romeno que Academia Rapid e CSA Steaua se enfrentaram pela 8ª rodada no Giulești, com transmissão televisiva da Telekom Sport, antiga DolceSport. Com 10 mil pessoas nas arquibancadas, as torcidas fazendo um verdadeiro show com cânticos e sinalizadores, num clima raríssimo na Liga I atual, a rivalidade estava ali, independente de quem dissesse que aqueles clubes não são legítimos. Entre os torcedores estavam nomes lendários do futebol romeno, como Mircea Lucescu (ex-técnico de Internazionale, Shakhtar, Zenit, multicampeão romeno e atual técnico da seleção da Turquia) e Anghel Iordănescu ( técnico da Geração de Ouro da seleção romena e campeão da Champions League em 1986 pelo Steaua). Todos os ingredientes de um clássico feroz estavam presentes.

Alin Predescu teve a ousadia de abrir o placar com cavadinha no clássico (foto: Digisport)
Alin Predescu teve a ousadia de abrir o placar com cavadinha no clássico (foto: Digisport)

Após o jogo ter sido paralisado por causa da fumaça dos sinalizadores aos 6′ da primeira etapa, quem abriu o placar foi o Steaua. Aos 26′, Doru Bratu atingiu a bola dentro da área com a mão. Pênalti. O camisa 10 Predescu não se intimidou com a atmosfera, marcou com cavadinha e saiu pedindo silêncio aos rapidistas.

O empate do Rapid veio aos 39′. O ídolo e capitão Daniel Niculae, ex-jogador da seleção romena, dirigente do Academia Rapid e um dos principais atacantes de sua geração, recebeu livre um belo passe de Bărbălău. Cara a cara com o goleiro Iancu, fuzilou para empatar.

Aos 17′ da segunda etapa, Bratu, que havia cometido o pênalti, levou o segundo amarelo por falta em Răzvan Zeciu e foi expulso. Mas dois minutos depois, Predescu, que havia marcado o gol do Steaua, foi expulso com o segundo amarelo por simulação.

O Rapid comemora o gol do capitão Daniel Niculae, com a camisa 21 (foto: Digisport)
O Rapid comemora o gol do capitão Daniel Niculae, com a camisa 21 (foto: Digisport)

Com o placar final em 1×1, o Academia Rapid é o líder invicto do grupo de Bucareste na Liga IV, com 20 pontos em 8 jogos. Com uma partida a menos, o CSA Steaua é o vice-líder, também invicto, com 19 pontos. O outro Rapid, o AFC, é o 8º colocado, com 12 pontos. Na lanterna, em 14º lugar, está o refundado Venus, octacampeão romeno no período entre as Grandes Guerras Mundiais e extinto após o início do Comunismo na Romênia. Apenas o campeão do grupo vai ao play-off de acesso para a Liga III, com outro campeão de algum dos 41 distritos romenos.

 

Confira os melhores momentos: