Imagem destaque: Liga2.ro (arquivo)

Depois das falências de Argeș Pitești, Politehnica Timișoara, Universitatea Craiova Universitatea Cluj, Oțelul Galați, Petrolul Ploiești, Rapid Bucareste e Ceahlăul Piatra Neamț nos últimos anos, hoje foi a vez do Brașov, clube de 81 anos de existência. Após passar as temporadas mais recentes sob insolvência financeira, especulações de extinção, falência e refundação nas ligas inferiores, 31 de maio de 2017 é o dia do fim, pelo menos por enquanto. O último jogo foi na segunda-feira, 29, foi após o empate em 1×1 com o Luceafărul Oradea, em casa, no seu icônico Estádio Silviu Ploeșteanu, pela penúltima rodada da segunda divisão. O resultado deixa o Brașov no 6º lugar, e ainda não se sabe se a equipe irá a campo na última rodada contra o CS Afumați, fora de casa.

Os stegari (literalmente “porta-bandeiras) são de Brașov, a sétima maior cidade da Romênia, com cerca de 250 mil habitantes. Localizada no coração do país, a cidade tem o potencial turístico no Castelo de Bran, associado ao Conde Drácula, e à região em que se localiza, a Transilvânia. O clube de futebol da cidade foi vice-campeão romeno em 1960 e era uma potência principalmente entre os anos 60 e 70, com campanhas expressivas, de topo de tabela. O Brașov se chamava Steagul Roșu Brașov (literalmente “bandeira vermelha”) quando, em 1970, deu três jogadores à seleção romena que disputou a Copa de 1970: o lateral direito Mihai Ivăncescu, o goleiro Stere Adamache e o meia Nicolae Pescaru.

As cores originais do Brașov eram azul e vermelho até 1966, quando a seleção olímpica da Romênia foi fazer uma excursão no Uruguai. E após uma partida entre a Națională olímpica e o Peñarol, um jogador do Brașov, Csaba Gyorffy, recebeu do capitão adversário, o equatoriano Alberto Spencer, a camisa dos Carboneros. Gyorffy ficou fascinado pela camisa e suas cores, e passou a utilizá-la nos treinos no Brașov. A decisão de mudar as cores do clube veio do técnico Silviu Ploeșteanu (que dá um dos nomes do estádio do Brașov).

Apesar de em nível nacional o Brașov ter apenas seis títulos da segunda divisão e nada no primeiro escalão, o clube possui um título internacional do qual se gaba: a Copa Balcânica. Era um torneio que reunia clubes de países da região dos Bálcãs: Albânia, Bulgária, Grécia, Romênia, Turquia e Iugoslávia. Em 1960-61, Levski Sófia, Partizan Tirana, Fenerbahçe e AEK Atenas ficaram atrás do invicto Brașov. O campeonato era disputado em pontos corridos, e os romenos foram absolutos: com 13 pontos (cinco a mais do que o vice-campeão Levski) em 5 vitórias e 3 empates.

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O esquadrão do Brașov enfrentou a Internazionale em 2001.

O Brașov amargou períodos difíceis a partir da metade dos anos 70, com diversos momentos na segunda divisão. Nos anos 90, há uma recuperação na temporada 2000-01 o time termina no terceiro lugar do Romenão, atrás apenas de Steaua e Dinamo, e vai à Copa da UEFA. Lá, os stegari eliminaram facilmente o pequeno Mika Ashtarak, da Armênia. Mas na fase seguinte, deram o azar de pegar a Internazionale, e foram eliminados com duas derrotas por 3×0. Em 2002-03, nova bela campanha, terminada na quarta posição.

Após o rebaixamento em 2004-05, o Brașov só esteve na primeira divisão a partir de 2008-09, e consegue se manter. Mas em 2014-15, numa temporada em que seis dos 18 participantes seriam rebaixados, os stegari caem, no 14º lugar, para não voltar mais. A partir dali, são duas temporadas honrosas na segunda divisão brigando pelo acesso, enquanto a falência fica cada vez mais próxima. A temporada 2016-17 foi a última. A falência inevitável será decretada em 20 de setembro.

O último jogo de futebol realizado no Estádio Silviu Ploeșteanu teve um último gol do Brașov, marcado pelo veterano meia Ștefan Grigorie, de 35 anos. O empate foi de Marius Matei, aos 31’do segundo tempo.

A última partida foi marcada também por apelos de torcedores em juramento de que a história do seu time de coração não acabará ali e pela presença de torcedores trabalhando de graça na segurança e nas bilheterias, para diminuir os custos de organização. No entanto, houve também suspeitas de fraudes com apostas.

Os torcedores do Brașov já organizam iniciativas para a refundação do clube, como já houve com Politehnica Timișoara. Petrolul Ploiești, Argeș Pitești, Oțelul Galați e Universitatea Cluj. ”Não acreditava que um clube como o Brașov chegasse aqui, mas fomos abandonados por todo mundo. O que dói é que tivemos uma chance muito boa de acesso. Se tivessémos tido um mínimo de ajuda financeira, teríamos subido sem problemas neste ano”, lamentou o técnico Cornel Ţălnar.

Outros clubes de futebol tradicionais na Romênia já passaram pelo mesmo processo do FC Brașov:

Argeș Pitești: falido em 2013 e refundado no mesmo ano por torcedores. Assim que conseguir o acesso à terceira divisão em 2016, o clube não pôde se manter e acabou novamente. Há trâmites para vender a marca do FC Argeș ao clube municipal, SCM Pitești.

Ceahlăul Piatra Neamț: teve o golpe de misericórdia quando o empresário Angelo Massone afundou o clube. Extinto em maio de 2016. Um clube homônimo foi refundado pela prefeitura e disputa as divisões inferiores.

Oțelul Galați: o campeão romeno de 2010-11 foi extinto no ano passado. O clube refundado pelos torcedores se chama Suporter Club Oțelul Galați, e dominou a Liga IV de Galați nesta temporada.

Petrolul Ploiești: falido em 2015, após acúmulo de dívidas e a formação de grandes times nos anos anteriores. Foi refundado por torcedores e deve conquistar o acesso à Liga III com um público às vezes maior do que os da Liga I.

Politehnica Timișoara: após diversos conflitos nos anos 2000, o time foi extinto em 2012. Foram fundados dois clubes no mesmo ano: a ACS Poli Timișoara e a ASU Poli Timișoara. A primeira é iniciativa da prefeitura, e hoje é reconhecida como legítima na Justiça. A segunda é apoiada pela maioria dos torcedores.

Rapid Bucareste: falido em 2016, após ter chegado aos lugares de acesso à Liga I. Se condições financeiras para voltar à elite do futebol romeno, foi extinto. Hoje há dois Rapid nas ligas inferiores.

Universitatea Cluj: falido em 2016, foi refundado e hoje segue os mesmos passos do Petrolul.

Universitatea Craiova: teve extinção forçada em 2011 pela LPF e pela FRF. Em 2013, o clube retornou, mas com um outro homônimo, reivindicando a identidade e a história do clube. hoje, há o CS Universitatea Craiova, reconhecido na Justiça como legítimo, que disputará a Liga Europa em 2017-18. O Universitatea de Adrian Mititelu, que sofreu a punição de 2011, tenta recuperar o prejuízo na Justiça para voltar às atividades e coexistir com o rival homônimo.

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