10 momentos pouco conhecidos na carreira de Gheorghe Hagi

Matéria do blog Banca de Rezerva.
Tradução: João Vítor Roberge – O Craiovano

Para o futebol romeno, 5 de fevereiro é uma data muito importante. Neste dia, em 1965, em Sacele, nascia Gheorghe Hagi, o líder da Generatia de Aur (a Geração de Ouro dos anos 90) e o único jogador romeno que atuou pelo Real Madrid e pelo Barcelona. Hoje ele faz 52 anos, e o Banca de Rezerva apresenta dez momentos pouco conhecidos da carreira daquele que é considerado o maior jogador de futebol romeno da história.

Assinou com o Steaua Bucareste em 1982

Mesmo tendo apenas 17 anos, Gheorghe Hagi conseguia se tornar um jogador cobiçado, e suas atuações com o Luceafarul [academia de futebol do período Comunista que reunia os principais jovens para formá-los] e com o Farul Constanta não podiam ser ignoradas. Em novembro de 1982, apenas dois meses depois de sua estreia na primeira divisão, o jovem jogador já conseguia marcar seu primeiro gol, e não em qualquer lugar, mas sim no Ghencea, contra o Steaua. Os “militares” perdiam um ponto precioso, após Hagi surpreender [o goleiro] Vasile Iordache com um chute a 35 metros do gol e a apenas dois minutos do fim da partida.

Entre as pessoas que se ocupavam dos jovens jogadores do Luceafarul estava Costica Toma, ex-goleiro do Steaua nos anos 50. Ouvindo que Marcel Pigulea [técnico do Luceafarul revelou vários dos craques da Generatia de Aur] tentava mandar Hagi para o Sportul Studentesc, os generais da diretoria do clube do Ghencea deram a Toma a missão de levar Hagi ao Steaua. Gica Hagi assinou um papel através do qual iria para o Ghencea no verão de 1983. Como ainda era menor de idade, com apenas 17 anos, o jogador não tinha direito de assinar contratos, e assim Eugen Banciu, vice-presidente do Sportul Studentesc, conseguiu trazê-lo para o Estádio Regie, depois que falou com os pais de Gica Hagi, que queriam que seu filho fizesse uma faculdade. [o Sportul era um clube da Universidade de Bucareste.]

O Universitatea Craiova quis Hagi, mas Mircea Lucescu se opôs

Mesmo com os pais de Hagi assinando com o Sportul pelo filho, Corneliu Andrei Stroe, presidente de futebol do Universitatea Craiova, tentou levá-lo. A primeira tentativa foi no inverno de 1983, em Atenas, quando Hagi estava treinando com a seleção.hagi-sportul

No verão de 1983, depois que o Farul foi rebaixado, Corneliu Andrei Stroe atacou novamente. Gica Hagi havia terminado o último ano da escola há pouco e iria para a faculdade. Mesmo já tendo assinado com o Sportul, os dirigentes oltênios o convenceram a assinar pelo Universitatea Craiova. O contrato poderia acabar anulado, mas tentaram a sorte. Hagi se inscreveu na faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Craiova, mas Mircea Lucescu, técnico da seleção na época, não queria que Hagi fosse para Craiova. Ele acreditava que Hagi não podia se desenvolver numa equipe cujo líder já era Ilie Balaci [o principal craque romeno de logo antes da geração de Hagi]. Então, segundo Lucescu, os dois acabariam se anulando.

O CNEFS [Conselho Nacional de Educação Física e Esporte] ignorou o ponto 8 do regulamento de transferências, que dizia que “os times participantes nas copas europeias e na Copa Balcânica podem transferir um único jogador de times das divisões A (que não esteja em copas europeias) B e C sem o acordo prévio do clube que tem o jogador, mas com o consentimento escrito do jogador em questão”. Assim, o Sportul teve caminho livre para levar Hagi. Mircea Lucescu pediu a ajuda de Nicu Ceausescu [filho do presidente Nicolae Ceausescu], que era próximo do Sportul, e assim Hagi finalmente iria para o clube do Regie.

O primeiro encontro com Diego Maradona

Em 20 de setembro de 1983, a seleção romena enfrentava um combinado da primeira divisão da Espanha. Mircea Lucescu tentava fortalecer o time, que no inverno jogaria os dois últimos jogos das eliminatórias para a Euro na França [em 1984].

No campo, Gica Hagi enfrentaria Diego Maradona, que jogava no Barcelona. Entre os jogadores elogiados pela imprensa espanhola estava o jovem do Sportul Studentesc, que tinha apenas 18 anos. Os tricolori empataram em 2×2, mas perderam o amistoso nos pênaltis.

Seis vezes na tabela da Bola de Ouro

Gica Hagi é o único jogador romeno que esteve em seis oportunidades na classificação final da Bola de Ouro. A primeira vez foi em 1985, com apenas um ponto, no 29º lugar, porque um dos jornalistas que votavam, provavelmente romeno, o havia colocado entre os cinco melhores do mundo daquele ano.

Em 1987, Gica Hagi ficou em 21º, com dois pontos. Um ano mais tarde ficou no 20º lugar, com um ponto. Em 1989 ficou no 8º lugar, com 11 pontos, a segunda melhor classificação de sua carreira.

Em 1991, quando jogava no Real Madrid, ficou em 21º, de novo com um ponto. A melhor classificação de Hagi veio em 1994, depois da ótima atuação na Copa do Mundo. O camisa 10 da seleção ficou no quarto lugar, com 68 pontos. Quatro votantes o haviam colocado como o melhor jogador do planeta em 1994 [Importante lembrar que a Bola de Ouro premiava apenas jogadores europeus. Hagi ficou atrás de Stoichkov, Baggio e Maldini, e empatado com Tomas Brolin. No entanto, ele ficou em quarto também no prêmio de melhor do mundo da FIFA, vencido por Romário, com Stoichkov em segundo e Baggio em terceiro].

Um jogador cobiçado já nos anos do Comunismo

Em 18 de agosto de 1987, o Steaua jogava um amistoso no San Siro, contra o Milan. A partida terminou sem gols, mas Silvio Berlusconi, o chefe dos milaneses, quis saber imediatamente se o número dez do time romeno estava à venda. Levou o não dos comunistas. Berlusconi não desistiu e convidou os stelisti para um amistoso em fevereiro de 1988; de novo empatado, mas desta vez em 1×1, com o placar aberto por Gica Hagi no San Siro.

Naquele jogo, estavam olheiros da Juventus nas arquibancadas. Eles tentaram fazer uma oferta, que era de fato ótima. Giovanni Agnelli [dono da Fiat e do clube] se ofereceu para construir uma fábrica da Fiat em Bucareste, mas teve que voltar com uma recusa..

Além destas ofertas, o Steaua recebeu outras até a queda do Comunismo, incluindo do Panathinaikos e do Olympique de Marselha. O Partido Comunista recusou todas.

O gol contra o Real

No verão de 1989, o Steaua foi convidado a um torneio amistoso, o Troféu Teresa Herrera, junto com Real Madrid, PSV e Bayern. Nas semifinais, os militares jogaram contra os madrilenhos e venceram por 2×1, com o gol da vitória marcado por Gica Hagi, aos 27 do segundo tempo, após um chute indefensável da entrada da área. No dia seguinte, o jornal Marca elogiava o camisa 10 dos stelisti e o caracterizava como um jogador maravilhoso, enquanto que sobre o gol, os jornalistas espanhóis escreveram que a bola mandada por Hagi teve um efeito diabólico.

Na final, o Steaua não conseguiu repetir o bom jogo contra o Real Madrid e perdeu por 4×1 para o Bayern, mas Gica Hagi era novamente lembrado pelos jornalistas espanhóis.

Gheorghe Hagi, aplaudido por Pelé

Em 1º de novembro de 1990, Gica Hagi foi convidado para jogar uma partida organizada em homenagem a Pelé, que fazia 50 anos. Junto do 10 da seleção estavam ainda Cafu, Carlo Ancelotti, Marco van Basten, Enzo Francescoli, Hristo Stoichkov e Lajos Detari.

Gica Hagi jogou na seleção do mundo, no segundo tempo, mas aos quatro minutos conseguiu deixar os espectadores do San Siro de pé. Cobrou de forma magistral uma falta da entrada da área, e o goleiro não teve nenhuma chace com a bola entrando no ângulo. À beira do campo, Pelé aplaudia a cobrança do jogador romeno. A seleção do mundo venceu a brasileira por 2×1.

confira o gol de Hagi aos 5min30 do vídeo

65 jogos com a braçadeira de capitão

Gica Hagi é o jogador que mais vezes foi capitão da Romênia. Em 16 de outubro de 1985, com apenas 20 anos, hagi recebia pela primeira vez a braçadeira, no jogo Romênia 0x1 Irlanda do Norte, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1986. Daquele momento até a aposentadoria, após a Euro 2000, Gheorghe Hagi foi capitão da seleção em 65 ocasiões.

Ele fica a frente de Cristian Chivu (50 jogos), Costica Stefanescu (43 jogos) e Cornel Dinu (38 jogos).

Cartão vermelho na estreia na Serie A

hagiNo verão de 1992, Gica Hagi era contratado pelo Brescia, por insistência de Mircea Lucescu. O campeonato italiano era naquela época um dos mais fortes do planeta, com todos os grandes jogadores querendo disputar a Serie A.

Em 6 de setembro de 1992, o Brescia jogava, fora de casa, contra a Napoli. Apesar de Maradona não estar mais lá, o time napolitano continuava forte, com Claudio Ranieri comandando Gianfranco Zola, Fonseca e Careca. Gica Hagi não fez um jogo muito bom, mas a partida estava favorável ao Brescia. Faltando nove minutos para o fim do jogo, o capitão da seleção deu uma entrada dura em Careca, e Pierluigi Colina mostra o cartão vermelho direto. O Brescia conseguiu um ponto após a partida, terminada em 0x0.

25º lugar no Top 100 dos melhores de todos os tempos

Em dezembro de 1999, a revista World Soccer anuncia a classificação dos 100 melhores jogadores de todos os tempos. No 25º lugar da tabela estava Hagi. O jogador romeno estava entre grandes nomes do futebol mundial, como Romário, Zinedine Zidane, Ruud Gullit, Lothar Matthaus, George Weah, Hristo Stoichkov, Rivaldo, Alan Shearer, Gunter Netzer e Giacinto Facchetti.

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