Carlos Fernandes beija o troféu do campeonato romeno: uma passagem de cerca de um ano que começou bem, mas teve um final conturbado
Carlos Fernandes beija o troféu do campeonato romeno: uma passagem de cerca de um ano que começou bem, mas teve um final conturbado
O goleiro tem o Boavista como time do coração, mas voltaria ao Steaua apesar da saída pela porta dos fundos
O goleiro tem o Boavista como time do coração, mas voltaria ao Steaua apesar da saída pela porta dos fundos

O goleiro Carlos Alberto Fernandes nasceu em 8 de setembro de 1979 na cidade de Kinshasa (atual capital de República Democrática do Congo), no Zaire. Filho de uma angolana com um português, – que trabalhava no Zaire em 1979 – Carlos foi registrado em Portugal e se naturalizou angolano.

Passou por clubes menores de Portugal, como Vilafranquense, Campomaiorense, Amora e Felgueiras, até chegar ao Boavista em 2004. Conhecido pelo seu estilo “espalhafatoso”, suas boas atuações naquela temporada 2004-05 levaram o jogador ao maior clube da Romênia, o Steaua Bucareste. Lá passou o auge de sua carreira, fez 37 partidas, venceu a Liga I 2005-06 e a Supercopa da Romênia 2006, disputou 14 jogos de competições da UEFA. Chegou a despertar o interesse do Real Bétis, mas foi após uma goleada sofrida pelo Real Madrid, foi”queimado” por Gigi Becali, proprietário do clube, e a transferência nunca aconteceu. Deixou os ros-albastri pela porta dos fundos, retornando ao Boavista depois de quase um semestre sem clube.

Hoje aos 35 anos, 11 clubes na carreira (Vilafranquense, Campomaiorense, Amora e Felgueiras, Boavista, Steaua Bucareste, Foolad [do Irã], Rio Ave, Bucaspor [da Turquia], Feirense e Moreirense) e 16 jogos pela seleção angolana – incluindo a Copa das Nações Africanas de 2010 e 2012 – Carlos Fernandes está sem clube, mas não guarda nenhuma mágoa da saída conturbada do futebol romeno. Em entrevista exclusiva a’O Craiovano, o goleiro critica a imprensa romena, fala sobre a experiência de disputar uma Champions League e afirma: se voltasse à Romênia, seria apenas para jogar no Steaua.

O Craiovano – Como e quando você chegou ao Steaua, Carlos?
Carlos Fernandes – Fui abordado ao fim de um jogo quando representava o Boavista, após um jogo contra o Paços de Ferreira, quando me foi proposto um contrato pelo clube romeno. Chegamos logo a um acordo, uma vez que a transferência era de grande interesse do Boavista, por motivos financeiros.

O Craiovano – Você já conhecia o clube antes de jogar por ele?
CF – Conhecia o Steaua como toda a gente vai conhecendo os clubes, por ver jogos na TV. Sendo um clube que participa frequentemente das competições europeias e que já ganhou uma Liga dos Campeões, não tem como não conhecer.

O Craiovano- você recebia os salários em dia no Steaua? O clube era organizado?
CF – Era um clube muito organizado, a mim nunca faltou nada.

Ronaldo x Carlos Fernandes: a partida foi 4x1 para os merengues, mas o Fenômeno não passou pelo então camisa 13 do Steaua
Ronaldo x Carlos Fernandes: a partida foi 4×1 para os merengues, mas o Fenômeno não passou pelo então camisa 13 do Steaua

O Craiovano – Como foi sua relação com O Gigi Becali? O Bétis tinha interesse em sua contratação, mas ele travou as negociações, não foi?
CF – A minha relação com o Sr. Gigi Becali era uma relação nula. Ele apenas marcava presença nos jogos e praticamente não o víamos. A uma altura, houve o interesse do Bétis, sim, e como qualquer jogador, fiquei eufórico pela oportunidade de jogar numa das maiores ligas do mundo. Isto me daria maior projeção e eu ainda estaria mais perto de casa. Mas essa possibilidade se foi depois de umas declarações infelizes do Sr. Gigi Becali após um jogo contra o Real Madrid [em outubro de 2006 – 3ª rodada da fase de grupos] com o objetivo de impossibilitar minha saída do clube [Becali atribuiu toda culpa pela derrota por 4-1 no Ghencea a Carlos Fernandes e disse que pagaria para que outro clube o levasse. Carlos anunciou que deixaria o clube e assim o fez, dois meses depois]. Claro que os que estavam interessados deixaram de ter interesse nos meu serviços quando o presidente do clube que represento faz as declarações que faz. Tive que rescindir meu contrato sem nenhuma compensação.

O Craiovano – Quais são as suas melhores lembranças do Steaua e quais suas maiores dificuldades?
CF – Os adeptos fervorosos e a paixão com que eles seguiam a equipa para todo o lado, com um enorme fanatismo. As conquistas feitas, as amizades que felizmente fiz. Já a maior dificuldade que eu tive foi com o que a mídia fazia em torno da minha pessoa, distorcendo e inventando muita coisa a meu respeito.

Carlos Fernandes disputou duas Copas das Nações Africanas por Angola
Carlos Fernandes disputou duas Copas das Nações Africanas por Angola

O Craiovano – Como você avalia sua experiência na Champions League?
CF – Tive a felicidade de representar o Steaua e poder participar da maior competição de futebol. Foi uma experiência que não se esquece, pelo fato de ter podido desfrutar do jogo com aqueles chamados “Galáticos” e de ter também aprendido com eles.

O Craiovano – Quais as impressões que você teve do futebol romeno?
CF – Do futebol em si eu gostei muito. É um campeonato muito competitivo e até cansativo, mas vale a pena depois de ver a euforia e felicidade dos adeptos quando se ganha um jogo.

O Craiovano – Por que você acabou retornando ao Boavista?
CF – Porque o Boavista é o meu clube do coração, foi onde comecei a conhecer o mundo e é onde eu me sinto em casa.

O Craiovano – Você jogaria no futebol brasileiro? Voltaria para a Romênia?
CF – Eu sou profissional, o meu trabalho é jogar futebol e confesso que o futebol brasileiro é um campeonato que me fascina sim. Quanto a Romênia, não jogaria em outro clube a não ser o Steaua.

O Craiovano – Você já tem planos de quando pretende encerrar a carreira?
CF – O que me move é a paixão que tenho pelo jogo. Enquanto eu tiver esta mesma paixão e condição física que me permita fazer o que mais amo e me faz feliz na vida, irei jogar bola.

A fatídica goleada do Real Madrid por 4×1 no Ghencea: a paz de Carlos Fernandes no clube acabou ali


Lances de Carlos Fernandes no futebol português

 

 

Com a colaboração de Roberto Rivelino Silva/O Mundo dos Guarda-Redes

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