Politehnica Timisoara 2×0 Atlético de Madrid – A Poli eliminou os espanhóis na Copa da UEFA 1990-91

Abrindo o Top10 do Ranking Craiovano está um dos times mais amados e carismáticos do futebol romeno, a Politehnica Timisoara.

Fundada em 1921 como equipe estudantil da Universidade Politécnica de Timisoara, a Poli acumula 49 participações no cenário principal do futebol romeno, a Liga I, mas nenhum título. As principais conquistas da equipes são duas Copas da Romênia, em 1957-58 e 1979-80.  Aliás, a Poli tem nada menos que seis vices da Copa: 1973-74, 1980-81, 1982-83 (estas em negrito perdendo a final para o Universitatea Craiova: 6×0 e 3×1, respectivamente), 1991-92, 2006-07 e 2008-09.

Gigel Bucur foi artilheiro da Liga I 2008-09 jogando pela Poli, ao lado de Florin Costea, do FC Universitatea Craiova
Gigel Bucur foi artilheiro da Liga I 2008-09 jogando pela Poli, ao lado de Florin Costea, do FC Universitatea Craiova

Em competições europeias, a equipe não chegou muito longe, mas teve resultados bastante memoráveis: Em 1990, eliminou o Atlético de Madrid da Copa da UEFA, com um 2×0 no Estádio Dan Paltinisanu lotado, gols de Bungau e Octavian Popescu. Mesmo na por 1×0 na Espanha, a Poli seguiu na competição. A boa fase pareceria se manter contra o Sporting, mas após aplicar 2×0 em Timisoara, a Poli levou sete dos portugueses do José Alvalade e caiu na segunda fase.

Depois da revolução que causou a queda do Comunismo na Romênia, a Politehnica Timisoara quase chegaria ao seu fim, sendo rebaixada da Liga I para a Liga IV de 1993 a 1995, sob a banca do italiano Claudio Zambon como dono do clube.

Em 2002, membros do conselho do clube e Zambon começaram a entrar em conflito na administração da Poli, e o italiano decidiu mudar o clube para Bucareste. e o clube recém-promovido à Liga I, AEK Bucareste, numa decisão do dirigente Anton Dobos, foi para Timisoara. Este AEK Bucareste entrou em acordo com os agora ex-membros do conselho do clube de Zambon e o clube se tornou Politehnica AEK Timisoara, com os investimentos de Marian Iancu e a empresa petrolífera Balkan Petroleum (BKP). A Poli AEK se tornava uma potência com os investimentos pesados, chegando à Liga Europa e à Champions League a partir de 2007-08.

Zambon, com sua Poli em Bucareste, reivindicou a legitimidade da Politehnica Timisoara original para si. A Poli AEK, no entanto, tinha um contrato com estes membros-conselheiros, com status de fundadores da Poli original fundada em 1921 (este conflito até que lembra um pouco um certo outro que começou em 2013, numa cidade chamada Craiova).

O impasse chegou até a Corte Arbitral do Esporte (CAS) em Lausanne, na Suíça, que deu razão a Zambon, obrigando a Poli AEK a mudar seus nomes e cores. Vestindo preto e branco, o time se chamaria FC Politehnica Stiinta 1921 Timisoara, mas o TAS alegou que a nova nomenclatura ainda seria de fácil confusão com o time de Zambon sediado em Bucareste, na quarta divisão. Surgia um FC Timisoara alvinegro, com a torcida fiel ao clube, sediado em Timisoara. Aliás, foi sob esta identidade que o clube disputou as competições europeias nos anos 2000. A UEFA reconhece em seus arquivos públicos este como o clube original fundado em 1921.

O Tribunal Constitucional da Romênia recusou o apelo feito por Zambon na instância para reconhecer o histórico da Poli de 1921 para o clube que ele adquiriu em Timisoara e mudou para Bucareste em 2002. A Universidade Politécnica de Timisoara, por outro lado, ganhou no tribunal o reconhecimento de que o nome original do clube e as cores roxo e branco registradas no Escritório de Estado para Marcas e Invenções (OSIM), ou seja, a marca “Politehnica Timisoara” estavam em sua posse, tendo a Universidade seus direitos de uso. Ou seja, a universidade, que estava do lado do FC Timisoara alvinegro, poderia ceder estes direitos ao clube, dando assim o voto de legitimidade ao clube financiado por Marian Iancu. E cedeu. Complexo, não?

Ao fim da temporada 2010-11, o FC Timisoara voltou a ser Politehnica Timisoara, nas tradicionais cores roxo e branco. A Poli de Zambon acabou em março de 2011, disputando a quarta divisão. O italiano juntou suas coisas e voltou para seu país.

Por outro lado, a Poli de Marian Iancu também passava por apuros. O dinheiro começou a acabar, as dívidas começaram a se acumular, e o clube foi rebaixado pela FRF ao final da temporada 2010-11 como vice-campeão da Liga I naquela edição do campeonato.

Na temporada seguinte, a Poli ainda conquistaria o título da Liga II, mas não recebeu a licença para subir por não ter cumprido os pré-requisitos financeiros. Iancu deixou o clube, que sem ter como se manter, se extinguiu.

Excepcionalmente no Dan Paltinisanu, a SS Poli em ação contra seu maior rival, o Ripensia, na Liga IV: torcida comparecendo
Excepcionalmente no Dan Paltinisanu, a SS Poli em ação contra seu maior rival, o Ripensia, na Liga IV: torcida comparecendo
A nova Poli, na Liga IV: projeto sério, transparente e promissor foto: Facebook oficial (SS Politehnica Timisoarai)
A nova Poli, na Liga IV: projeto sério, transparente e promissor foto: Facebook oficial (SS Politehnica Timisoarai)

Ainda em 2012, o ACS Recas Bucareste se mudou para Timisoara e se tornou ACS Poli Timisoara, nas cores preto e branco, sem ligação alguma com o time original de 1921. O time disputa atualmente a Liga II e está a um passo de retornar à elite do futebol romeno. Quase simultaneamente, foi fundada a SS Politehnica Timisoara, um projeto dos torcedores órfãos da Poli que herdou a uma grande maioria dos fãs. O time começou na Liga V, e hoje tem todas as chances de subir para a Liga III de 2015-16 e com aval da Fundação Politehnica, ligada à Universidade Politécnica de Timisoara, ainda que o time oficial em 1921 não tenha um sucessor oficial. O clube joga no Estádio Stiinta, com capacidade de apenas mil torcedores, localizado na própria universidade. No tradicional estádio Dan Paltinisanu quem joga é a ACS Poli, que tem o apoio das autoridades locais.

 

Poli_timisoara_2010_logoFotbal Club Politehnica Timisoara

Fundação: 1921
Estádio: Dan Paltinisanu (32.972 lugares)
Rivais: Ripensia Timisoara, UTA Arad e Dinamo Bucareste
Títulos: 2 Copas da Romênia (1957-58, 1979-80)
10 Liga II (1947–1948, 1952, 1959–1960, 1964–1965, 1972–1973, 1983–1984, 1986–1987, 1988–1989, 1994–1995, 2011–2012)
Outros desempenhos marcantes:
Vice-campeão da Liga I (2008–2009, 2010–2011)
Vice-campeão da Copa da Romênia (1973–1974, 1980–1981, 1982–1983, 1991–1992, 2006–2007, 2008–2009)

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