O mutante futebol romeno: De 2006 pra cá, apenas sete clubes continuam na Liga I

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O futebol romeno do Século XXI tem como marca registrada seus clubes instáveis, que estão muito bem numa temporada, e pouco tempo depois acabam destruídos, afundados em dívidas, muitas vezes extintos. Muito disso se deve ao péssimo sistema em que poucos empresários controlam os clubes, administram mal, gastam mais do que tem e deixam, muitas vezes, milhares ou milhões de torcedores na mão. Foi o que aconteceu com os tradicionalíssimos Arges, Poli Timisoara, Poli Iasi e FC Universitatea Craiova, além das sensações efêmeras Vaslui e Unirea Urziceni. E esta instabilidade romena fica evidente quando comparamos a tabela da temporada 2006-07 (quando o campeonato romeno voltou a ter 18 clubes) com a de 2014-15: dos 18 participantes daquela edição, 11 não estão mais na elite do futebol romeno.

Ou seja, dos times que disputam a temporada 2014-15, apenas Steaua (FCSB), Dinamo, Otelul, Rapid, Pandurii, CFR Cluj e Ceahlaul participaram da edição da Liga I que começou há apenas nove anos. Destes, Rapid e Ceahlaul caíram para a Liga II e retornaram neste meio tempo. E a situação deve piorar muito até 2015-16. Com a temporada seguinte tendo apenas 14 clubes e a atual rebaixando seis, a maioria destes times vai para a segundona Rapid, Ceahlaul, CFR Cluj e Otelul, que ocupam justamente as quatro últimas posições da Liga I a sete rodadas do fim do campeonato, e dificilmente deverão escapar. Târgu Mures, CS U Craiova, Petrolul, Astra, Botosani, Viitorul, CSMS Iasi, Concordia, Brasov, Gaz Metan, U Cluj, nenhum deles estava na primeira divisão 2006-07. Viitorul, Târgu Mures, CSMS Iasi e CS U Craiova nem haviam sido fundados.

Junto com os sete clubes, estavam em 2006-07 Gloria Bistrita (hoje Gloria Progresul, na Liga III), Politehnica Timisoara, Vaslui, Arges Pitesti (estes três hoje oficialmente extintos, “ressuscitados” por projetos não-oficiais de torcedores), Unirea Urziceni, Politehnica Iasi, FC Universitatea Craiova (estes três extintos), Farul Constanta (agoniza há anos na Liga II), National Bucareste (hoje Progresul Bucareste, na Liga IV), UTA Arad (hoje oficialmente sob o nome de UTA Batrana Doamna, na Liga III) e Jiul Petrosani (hoje na Liga IV). Ou seja, para todos os efeitos, dos 11 times que jogaram a Liga I 2006-07 e que não estão em 2014-15, seis não existem mais e três mudaram seus nomes.

Comparando com o Campeonato Brasileiro (algo que O Craiovano tem feito frequentemente neste tipo de questão), de 2006 a 2014* só sete clubes não foram os mesmos: Atlético Paranaense, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Figueirense, Flamengo, Fluminense, Goiás, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos e São Paulo. Destes, Atlético, Corinthians, Figueirense, Goiás e Palmeiras chegaram a ser rebaixados, mas retornaram. As “novidades” de 2014 foram Atlético Mineiro, Bahia, Chapecoense, Coritiba, Criciúma, Sport e Vitória. Em 2006, estavam Fortaleza, Juventude, Paraná, Ponte Preta, Santa Cruz, São Caetano e Vasco.

Ou seja, treze times do Campeonato Brasileiro de 20 clubes se mantiveram ou voltaram à divisão principal num intervalo de oito anos (uma ocupação de 65% das vagas). Na Romênia, apenas sete de 18 conseguiram tal feito (uma ocupação de cerca de 39% das vagas). E a tendência é piorar, pois Ceahlaul, Rapid, CFR Cluj e Otelul estão a um passo de cair, sobrando apenas Steaua, Dinamo e Pandurii para 2015-16.

Mas mudar o sistema pra quê, certo? Afinal,quem consultar o Ranking da FIFA verá que a seleção deste país com clubes e ligas mutantes é a 12ª melhor do mundo. Deixa o torcedor pra lá.

* 2006 foi o primeiro ano com 20 clubes. A Liga I de 18 times começou no mesmo ano, em 2006. O paralelo com 2014 é devido ao fato de o número de edições dos campeonatos serem iguais (nove).

Um comentário em “O mutante futebol romeno: De 2006 pra cá, apenas sete clubes continuam na Liga I

  1. Só por curiosidade João: nos 9 primeiros anos dos pontos corridos no Brasil (2003 a 2011) só 7 clubes estiveram presentes em todas as edições: São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Internacional e Atletico Paranaense, sendo que Atlético PR e Fluminense já foram rebaixados depois disso.

    A grande diferença é que, como Rapid e Ceahlaul, os times caem e voltam. A legislação romena é mais rígida quanto as dívidas? Tenho a sensação de que Flamengo, Botafogo, Vasco, Portuguesa, Guarani e alguns outros clubes não conseguiriam disputar quase nenhum campeonato de primeiro, segundo ou terceiro nível na Europa, seriam barrados pela legislação vigente deles.

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