g-hagi

Hagi nunca teve o sucesso que teve como jogador comandando uma equipe do banco de reservas. Ganhou títulos em cinco dos sete clubes pelos quais passou, entre eles uma Copa da UEFA com o Galatasaray. Foi duas vezes artilheiro da Liga I, artilheiro da Champions League, liderou a melhor geração da seleção romena, foi eleito para figurar no time com os melhores da Copa do Mundo de 1994, entre outras conquistas importantíssimas. Como técnico, no entanto, nunca chegou ao mesmo patamar. Normal. Falcão, Platini, Maradona, Romário são apenas alguns exemplos de jogadores sensacionais, gigantes no campo e nada especiais fora dele, que não corresponderam com as expectativas erroneamente criadas do tipo “se foi bom jogador, será bom técnico”. Mas hoje, como técnico, fundador e proprietário do Viitorul, ele pode chegar de volta à Copa da UEFA, depois de alguns insucessos pós-carreira de jogador.

Mutu e Chivu na Romênia de Hagi contra a Eslovênia, em 2001: o primeiro aviso a uma geração de qualidade, mas que nunca vingaria como a Generatia de Aur a nível de seleção
Mutu e Chivu na Romênia de Hagi contra a Eslovênia, em 2001: o primeiro aviso a uma geração de qualidade, mas que nunca vingaria como a Generatia de Aur a nível de seleção
Desolação no Ghencea: Hagi foi o técnico que falhou a quarta classificação romena consecutiva a uma Copa do Mundo. O algoz era a modesta Eslovênia
Desolação no Ghencea: Hagi foi o técnico que falhou a quarta classificação romena consecutiva a uma Copa do Mundo. O algoz era a modesta Eslovênia

Hagi começou a carreira de treinador talvez a partir de um ato irresponsável da FRF, então liderada por Mircea Sandu, que decidiu colocar os últimos quatro jogos da Romênia nas eliminatórias para a Copa de 2002 nas mãos de um (gigante) jogador recém-aposentado. Hagi chegava em 2001 para substituir Ladislau Bölöni (este havia ido para o Sporting e seria o primeiro técnico na carreira profissional de um tal de Cristiano Ronaldo). O desafio foi aceito, mas Regele só conseguiu vencer na estreia, no clássico sobre a Hungria, em Budapeste, por 2×0. Depois, um empate com a Geórgia em Bucareste deixou a Nationala na repescagem. E lá, a eliminação para a caçula Eslovênia, com um 2×1 em Liubliana e um 1×1 no Ghencea, encerrou a primeira experiência de Hagi como técnico. A seleção havia participado das três Copas anteriores, e ele estava dentro do campo. Desta vez, no banco, comandando a equipe, a seleção não participaria. Este fracasso perante a Eslovênia não só colocou a promissora geração de Mutu, Radoi, Chivu e Marius Niculae em seu primeiro xeque, como a Copa de 2002 foi a primeira que não teve participação dos tricolorii desde 1986.

Em 2003, Hagi decidiu recomeçar na sua segunda casa: a Turquia. No Bursaspor, ele também não foi bem-sucedido. Por pouco mais de oito meses, ele acumulou maus resultados e caiu antes da metade da temporada, com duas vitórias, quatro empates e seis derrotas. O Bursaspor seria ainda rebaixado no final do campeonato. Mas seria ainda na Turquia que Hagi teria enfim, seu primeiro sucesso como técnico: justamente no Galatasaray, em 2005, ano do centenário do clube, ele conquistou a Copa da Turquia com um 5×1 sobre o arquirrival Fenerbahçe. Ao final da temporada, o Galata alcançou o terceiro lugar da Liga, e o contrato do treinador não foi renovado. O Maradona dos Cárpatos retorna, então, à Romênia.

O Maradona dos Cárpatos chega ao Bursaspor em 2003: o primeiro trabalho em um clube (foto: bursaspor.org.tr)
O Maradona dos Cárpatos chega ao Bursaspor em 2003: o primeiro trabalho em um clube (foto: bursaspor.org.tr)

Sem ter seu pedido de salário aceito pelo Steaua, Hagi chega à Politehnica Timisoara, e sai depois de sete derrotas em 16 partidas. Não bastasse o fraco desempenho, o Farul Constanta, clube que o revelou, rebatizou o Estádio Gheorghe Hagi, em Constanta, para Estádio Farul como retaliação à decisão do ex-meia ter ido para outro clube. Em 2007, aí sim no comando do Steaua, Hagi chegou a ter bons desempenhos, mas havia um Gigi Becali pelo caminho. Desentendimentos sobre as interferências do proprietário do clube dentro do campo fizeram com que Hagi deixasse o cargo. Só em 2010 ele voltaria a treinar um clube.

Hagi está de bem com a vida de técnico no Viitorul (foto: Mediafax)
Hagi está de bem com a vida de técnico no Viitorul (foto: Mediafax)

Neste meio tempo, foram fundados, a Academia de Fotbal Gheorghe Hagi (na cidade de Ovidiu, a 15 minutos de Constanta), e o Fotbal Club Viitorul (em Constanta), mais precisamente em 2009. Com uma parceria com a Pepsi e uma das melhores estruturas de categorias de base do leste europeu e inspirada nas filosofias dos grandes clubes do mundo, a Academia de Fotbal Gheorghe Hagi tem como objetivo formar jogadores de nível internacional. Basicamente, Hagi se tornou o dono do principal celeiro de promessas da Romênia na atualidade, do qual Ionut Mitrita, Florin Tanase, Cristian Manea e claro, seu filho Ianis Hagi, fazem parte. Já são mais de 100 jogadores cedidos à todas as categorias de base da seleção romena.

Em 2010, mesmo com o seu próprio clube para administrar, Gheorghe Hagi é apresentado como o novo técnico do Galatasaray em 22 de outubro, substituindo Frank Rijkaard. Apesar do retrospecto positivo, uma série de maus resultados deixou o clube na medíocre 11ª posição do campeonato turco, e desta vez, sem títulos, Hagi foi demitido, e passou a focar literal e somente no Viitorul (“viitorul” significa “o futuro”, em romeno). Mal saberia Hagi que para o seu próprio clube conseguir seus melhores resultados, precisava dele como treinador. Era hora para mais um recomeço. Em 13 de outubro do ano passado, ele assumia o cargo de técnico no próprio clube, que estava na parte de baixo da tabela, Após as saídas de dois Bogdans (Vintila e Stelea, este o goleiro da Generatia de Aur). Isto mais de três anos depois da demissão do Galatasaray.

Além de revelar jogadores, Hagi deu a oportunidade para o experiente Banel Nicolita, ex-Steaua e seleção, relançar a carreira (foto: Mediafax
Além de revelar jogadores, Hagi deu a oportunidade para o experiente Banel Nicolita, ex-Steaua e seleção, relançar a carreira (foto: Mediafax

A mudança de rumos até agora na carreira de técnico de Hagi já é notável: assumindo na 11ª rodada, foram três vitórias, três empates e só uma derrota, na última rodada do turno, para o Botosani. O Viitorul saía da condição de candidato ao rebaixamento para acabar o turno e o ano na oitava posição, com chances reais de se classificar para a Liga Europa, aproveitando que vários clubes da parte de cima da tabela não podem se classificar por estarem em insolvência financeira.

E 2015 tem sido ainda melhor para Hagi. O Viitorul é atualmente o terceiro melhor clube do returno da Liga I, atrás apenas de Târgu Mures e CSMS Iasi. São seis vitórias, dois empates e duas derrotas até aqui. Ou seja, no total, Hagi acumula nove vitórias (algumas sobre adversários de peso, como Astra, Petrolul e Dinamo), cinco empates e apenas três derrotas em 17 jogos, um total de 62.74% de aproveitamento dos pontos. Sob o comando de Regele, são 29 gols marcados e 21 sofridos. Hoje, o time mescla medalhões como Catalin Munteanu e Banel Nicolita com a garotada produzida na base, tem o artilheiro da Liga I, Bogdan Mitrea (com 14 gols, sendo dez de pênalti), está na sexta posição, de vez na briga por uma vaga na Liga Europa, junto com Botosani, Astra, Târgu Mures e, mais atrás, o CSMS Iasi. Demorou, e ainda é cedo para confirmar, mas parece que Gheorghe Hagi finalmente vai tomando um bom e tranquilo rumo como treinador. Pelo menos a Liga Europa 2015-16 está cada vez mais próxima. Viitorul.fw

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