O 26º título do “Steaua”/FCSB parecia certo, até chegar um certo Târgu Mures

Stanciu e Muresan no confronto do primeiro turno: jogo violento e com vitória do Târgu Mures (Foto: Digisport)
Stanciu e Muresan no confronto do primeiro turno: jogo violento e com vitória do Târgu Mures (Foto: Digisport)

Após o período entre 2006 a 2012, em que a Liga I teve quatro campeões diferentes em seis anos (Dinamo, CFR Cluj, Unirea Urziceni e Otelul Galati), o Steaua Bucareste voltou a dominar a Liga I, quase como costumava fazer antes dos anos 2000. Na edição 2012-13, a equipe liderou o campeonato em 27 das 34 rodadas, terminando a 16 pontos do vice-campeão, Pandurii Târgu Jiu. Em 2013-14, a diferença foi menor, mas o clube perdeu apenas uma partida em vez de três, terminando com 77 pontos, a cinco do Astra Giurgiu.

Tucudean, ex-Dinamo, veio do Charlton, da Inglaterra, para substituir Keseru, mas não correspondeu (foto: Adevarul)
Tucudean, ex-Dinamo, veio do Charlton, da Inglaterra, para substituir Keseru, mas não correspondeu (foto: Adevarul)

Em 2014-15, o primeiro turno acabou com uma vantagem de nove pontos para o CFR Cluj, que à época era o líder. O CFR foi punido com a perda de 24 pontos por dívidas com ex-jogadores do time e o vice-líder se tornou o Petrolul, com 33 pontos, dez atrás do Steaua. Que, aliás, já havia se tornado o FCSB, por ter perdido os direitos da marca Steaua antes cedidos pelo Ministério da Defesa da Romênia e do Exército do país. Ainda assim, eram dez pontos de vantagem. O título parecia se encaminhar mais uma vez.

Mas a crise de identidade atingiu em cheio o clube, com diversos torcedores se recusando a aceitar o tal FCSB como o Steaua legítimo. O público no Ghencea caiu, o então artilheiro do campeonato, Keseru, foi para o Catar, e o líder em assistências, Sânmartean, foi para a Arábia Saudita, ser reforço do Al Ittihad, do técnico romeno Victor Piturca. Ao mesmo tempo em que esta queda de rendimento começava, emergia, da quarta posição, um concorrente à altura na busca pelo título. Não o Astra, não o Petrolul, não o arquirrival Dinamo, mas sim o ASA (Asociatia Sportiva Ardealul) Târgu Mures. O clube é uma reedição do FCM Târgu Mures fundado em 2008 e com quase o mesmo nome de outro clube do Exército, o ASA (Asociatia Sportiva a Armatei – Associação Esportiva do Exército) Târgu Mures, que incomodou muito os grandes na década de 60, revelou o craque Ladislau Bölöni e foi extinto em 2007.

Sob o comando do ex-zagueiro Liviu Ciobotariu, que havia feito bom trabalho com o Vaslui nas últimas duas temporadas, o Târgu Mures fez do acanhado e simpático Estádio Trans-Sil, de apenas 8 mil lugares, um alçapão. O time acumulou 13 vitórias e um empate em casa, se mantendo invicto até aqui na Liga I, e se tornando assim o melhor mandante da competição. Invicto há 11 jogos, o Târgu Mures também é o líder do returno da Liga I, também ser perder, com 25 pontos acumulados em oito vitórias e um empate. E é sempre importante lembrar que o time veio direto da Liga II em 2013-14, num projeto que contava com o diretor de futebol Daniel Stanciu (que hoje enfrenta uma crise no Dinamo) e agora briga pelo título da primeira divisão.

N'Doye, volante de 37 anos, é o artilheiro do Târgu Mures com nove gols. (foto: ProSport)
N’Doye, volante de 37 anos, é o artilheiro do Târgu Mures com nove gols. (foto: ProSport)

Enquanto o FCSB tropeça com três derrotas (1×0 para o Rapid, 3×1 para o Pandurii, e 1×0 para o Petrolul, na última quinta-feira) e dois empates em nove jogos do returno, o Târgu Mures vence jogos importantes, como contra o CS U Craiova e o emergente CSMS Iasi de Nicolò Napoli reunindo jogadores experientes e de renome a nível nacional como Ianis Zicu, Dorin Goga e o veterano senegalês Ousmane N’Doye, que está na Romênia desde 2008; e muitos deles que foram do CFR Cluj nos tempos áureos do clube. É o caso de Lazslo Sepsi, Ioan Hora, Claudiu Voiculet, Gabriel Muresan e Eduard Stancioiu. E claro, além da experiência, conta com a juventude da promessa Claudiu Bumba. O meia de 21 anos esteve na última convocação da seleção romena e é um jogador muito importante no esquema de Ciobotariu, que preza muito pela defesa, ainda que exagere no número de cartões e na dureza das faltas: são 15 gols sofridos em 26 jogos, é a melhor defesa do campeonato junto com a do FCSB.

O Târgu Mures não perdeu ainda no Estádio Trans-Sil, e tem público acima da média do campeonato (foto: Facebook Târgu Mures)
O Târgu Mures não perdeu ainda no Estádio Trans-Sil, e tem público acima da média do campeonato (foto: Facebook Târgu Mures)

Com o declínio de um ros-albastru (rubro-azul) e a ascensão de outro, a Liga I volta a ter uma luta pelo título depois de muito tempo. Isto num campeonato que parecia definido e que tinha sua maior atração na disputa de vagas para a Liga Europa, quando um terço dos times estão impedidos de se classificarem por insolvência financeira e o CS U Craiova por não ter três anos consecutivos de filiação à FRF. O Târgu Mures tirou nada menos que 11 pontos de diferença para o FCSB em nove rodadas. Ao final do primeiro turno, no ano passado, o FCSB era líder com 43 pontos, e a equipe da Transilvânia tinha 30, na quarta posição. Hoje, o líder tem 55 pontos. O Târgu Mures acumula agora 53 pontos, nove a mais que o terceiro colocado, o Petrolul.

O que pode favorecer o FCSB é o calendário. Os próximos jogos do time comandado por Constantin Gâlca são em teoria muito mais fáceis que os do Târgu Mures. Na 27ª rodada, o time de Sepsi, N’Doye e cia enfrenta o CFR Cluj fora de casa, na próxima sexta. Apesar da fragilidade do CFR, é um jogo mais difícil do que o do FCSB, que encara na Arena Nationala (o time foi exilado do Ghencea pelo Exército) o saco de pancadas e lanterna Otelul Galati no domingo. Na 28ª, os confrontos são Universitatea Cluj x FCSB, antecipando a final da Copa da Romênia de 31 de maio, e Târgu Mures x Pandurii, no Trans-Sil. Já na 29ª rodada, o confronto é direto: FCSB x Târgu Mures, na Arena Nationala. No primeiro turno, quem levou a melhor foram os muresenii: 1×0 em casa. Depois, o Târgu Mures tem Viitorul em casa, Gaz Metan fora, Petrolul em casa, Astra fora e termina com o Otelul no Trans-Sil. Já o FCSB tem “clássico” (dependendo de quem for avaliar a legitimidade do clube) com o Dinamo, mas depois tem um caminho em teoria mais tranquilo: Concordia em casa, Brasov fora, Botosani em casa e CSMS Iasi fora.

Num campeonato com público baixo (média de menos de 4 mil por jogo), sete clubes (Brasov, Dinamo, Otelul, CFR Cluj, Rapid, Petrolul e U Cluj) em insolvência e a ausência de mais times de tradição, uma briga acirrada pelo título a oito rodadas do fim ajuda a aumentar a visibilidade da Liga I dentro da própria Romênia. Créditos ao Târgu Mures, a grande surpresa do campeonato que subiu de divisão e na temporada seguinte se tornou candidato ao título. E até mesmo ao FCSB, pelos tropeços cruciais. É bom dar uma variada.

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