Ex-dirigentes do Dinamo afirmam que houve crime fiscal e manipulação de resultados junto à Lazio em 2007-08

Turcu prestou depoimento ontem ao DNA (Foto: arquivo/Fanatik.ro)
Turcu prestou depoimento ontem ao DNA (Foto: arquivo/Fanatik.ro)

Um dos ex-investidores do Dinamo Bucareste, o empresário Vasile Turcu, declarou ontem à Diretoria Nacional Anticorrupção (DNA) da Romênia que o clube recebeu 5,35 milhões de Euros da Lazio, para vender o zagueiro e lateral esquerdo Stefan Radu (valor menor do que o declarado oficialmente: 4,5 milhões), o que abre suspeita para uma manipulação da partida de volta da última fase anterior à de grupos da Champions League em 2007-08, num confronto que acabou em 3×1 para os italianos em Bucareste. O DNA abriu uma investigação no último dia 27 após outro ex-investidor do Dinamo, Vladimir Cohn, ter afirmado ao jornal esportivo ProSport que o dirigente e ex-jogador do Dinamo, Cornel Dinu, e o ex-presidente do time, Cristi Borcea, estavam envolvidos na negociação com o presidente da Lazio, Claudio Lotito, e que jogadores do foram informados no intervalo do jogo sobre a obrigação de perder quando o placar era 1×0 para os romenos. Apenas o lateral esquerdo Cristian Pulhac afirmou ter percebido algo suspeito de manipulação na partida, enquanto vários dos jogadores que estavam em campo naquele 28 de agosto de 2007 negaram sobre terem permitido a virada da Lazio, como Claudiu Niculescu, Daniel Oprita e Andrei Cristea.

O preço de Radu pedido pelo Dinamo e acordado pela diretoria era 5 milhões de Euros. No seu depoimento ao DNA, Turcu afirmou que a transferência foi feita em três parcelas: 1.831.666,66 de Euros no ato da assinatura do contrato e mais duas de 1.166.666,66, uma até 31 de agosto de 2009  e outra até 31 de agosto de 2010. O excedente dos 4,5 milhões declarados são suspeitos de serem uma mala preta para o Dinamo perder a vaga na fase de grupos para a Lazio ou se teria a ver com máfias de apostas espotivas. Este é um dos pontos que o DNA investiga. Já os números revelados por Turcu precisam ser confirmados, e as investigações do DNA estão em andamento. Conforme o ProSport, a UEFA também abriu investigações sobre a partida.

“No intervalo, os jogadores foram avisados para tirar o pé. O preço seria a venda de Stefan Radu, já que o jogador valia menos que 4,5 milhões de Euros na época”, revelou Cohn ao ProSport, numa das declarações que iniciaram as investigações do jornal e do DNA. O técnico do Dinamo na época, Mircea Rednic, e Cornel Dinu, ex-diretor esportivo, acusam Borcea e o empresário Ioan Becali de terem vendido a partida

Radu foi para a Lazio em janeiro de 2008, cinco meses após a partida realizada em 28 de agosto de 2007 no Lia Manoliu, atual Arena Nationala . Os empresários Ioan e Victor Becali, então “cabeças” na direção do Dinamo, haviam declarado na época que a transferência era um empréstimo no valor de 1 milhão de Euros, com opção de compra de 3,5 milhões. Ioan Becali, atualmente também cumprindo pena pelo Caso das Transferências, era empresário de 13 de 14 jogadores do Dinamo e apareceu como convidado num jantar protocolar da diretoria do Dinamo para conversar com Lotito, conforme declarou Cohn ao ProSport em matéria publicada em 13 de janeiro deste ano (o empresário havia pedido sigilo de seu nome na matéria).

A hipótese de manipulação de resultados é reforçada pela péssima atuação e erros grotescos de alguns jogadores do Dinamo no segundo tempo, que até o primeiro tempo não havia deixado a Lazio chegar no gol adversário. Logo aos dois minutos da segunda etapa, o zagueiro Valentin Nastase perdei a bola dentro da área e cometeu um pênalti infantil, convertido por Rocchi. Seis minutos depois, outra falha, no passe errado de Margaritescu, a Lazio saiu no contraataque. Pandev recebeu em condições, o zagueiro ganês George Blay caiu na área, atrás do atacante adversário, que completou para o gol. Aos 22, Ledesma lançou Rocchi, a defesa fez uma linha extremamente burra e o italiano fez 3×1.

Os dirigentes citados:

Cristi Borcea, citado por Cohn e por Turcu em seu depoimento prestado ao DNA, está atualmente cumprindo pena de 6 anos e quatro meses de prisão por envolvimento no Caso das Transferências. Conforme a RiseProject (agência de notícias romena financiada via crowdfunding), Vladimir Cohn é um dos 11 cidadãos romenos com contas no HSBC suíço, pela qual foi iniciada a investigação por lavagem de dinheiro e facilitação de operações à organizações criminosas. Ioan Becali é irmão de Victor Becali, e os dois são primos do proprietário do FCSB, Gigi Becali, que está preso por corrupção e lavagem de dinheiro.

Assista os gols da partida:

Ou o primeiro e o segundo tempo, na íntegra:


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