Novas medidas da LPF podem “eliminar” jogadores de fora da União Europeia

Iorgulescu: "Nós só trazemos brasileiros de segunda linha" (foto: ProSport)
Iorgulescu: “Nós só trazemos brasileiros de segunda linha” (foto: ProSport)

Dentre as várias mudanças que a Liga I terá a partir da temporada 2015-16, a Liga Profissional de Futebol (LPF) propôs na Assembleia Geral do último dia 27 que os jogadores de fora da União Europeia a serem transferidos aos clubes romenos no futuro sejam obrigatoriamente de renome internacional, com pelo menos três convocações às suas seleções nacionais na temporada anterior. A medida ainda não é definitiva, e aguarda sugestões dos clubes e a aprovação do Comitê Executivo da Federação Romena de Futebol (FRF). LPF e FRF estão em um processo de mudanças profundas desde as eleições de Gino Iorgulescu para a presidência da Liga e Razvan Burleanu para a Federação no ano passado.

Com 27 gols na Liga I 2011-12, Wesley é o único artilheiro estrangeiro da história da competição. E ninguém marcou mais gols que Wesley em uma mesma edição no Século XXI. Jogadores como ele podem não ter mais lugar na Liga I
Com 27 gols na Liga I 2011-12, Wesley é o único artilheiro estrangeiro da história da competição. E ninguém marcou mais gols que Wesley em uma mesma edição no Século XXI. Jogadores como ele podem não ter mais lugar na Liga I

Com os clubes romenos muito longe de terem grandes orçamentos, as contratações de jogadores dos principais países do mundo no futebol poderiam acabar, já que os valores deste tipo de atleta não condizem com a realidade financeira do futebol romeno. Os clubes do país têm ultimamente cedido jogadores a seleções periféricas, como médias e pequenas africanas e americanas. Como exemplo, na última Copa das Nações Africanas, a seleção mais expressiva com jogador da Liga I foi a Tunísia, sendo as outras Burkina Faso, Congo e Cabo Verde. Nenhuma das quatro esteve nas duas últimas Copas do Mundo.

Jogadores sul-americanos que estejam em times romenos pouco ou nunca são convocados. Apesar disso, muitos deles nunca jogaram por suas seleções ou por principais clubes de seus países, mas fazem sucesso em seus times na Romênia. É o caso de Guilherme Sityá, ex-Petrolul e hoje no Steaua; o argentino Pablo Brandán, ex-Steaua e hoje no CS U Craiova; Roberto Ayza, um dos principais jogadores do Mioveni, aos 33 anos; Eric de Oliveira, do Pandurii; e Wesley, ex-Vaslui e CSMS Iasi, que é um caso à parte: É o único jogador não-romeno a ter sido artilheiro de uma edição da Liga I, que com a homologação é disputada desde 1909. Foram 27 gols na temporada 2011-12, pelo Vaslui.

O presidente da LPF, Gino Iorgulescu, explica a decisão contra os jogadores de fora da UE: “Falei com Franco Baresi [ex-zagueiro italiano e atual treinador de base], e ele me disse que o campeonato italiano tem o mesmo problema com os jogadores de fora. E acreditamos firmemente que os jogadores que vêm de países extracomunitários precisam ter alguma qualidade. Nós demos um mínimo de três convocações às seleções nacionais. Tentamos dar passos curtos, mas benéficos ao futebol romeno. Existe algum jogador convocado pra seleção brasileira que veio à Romênia? Não. Nós trazemos apenas brasileiros de segunda linha, aqueles da seleção quem levam são os clubes dos campeonatos fortes, que podem pagar. Nós impusemos esta regra para ter mais romenos com potencial de serem convocados para a nossa seleção”,  afirmou Iorgulescu ao ProSport.

Visando incentivar a formação e evolução de jogadores nacionais, os elencos para a Liga I deverão ter no máximo 25 jogadores, sendo que quatro precisam ter sido formados em clubes nacionais, outros quatro em clubes da mesma região. Esta medida está prevista para entrar em vigor só a partir de 2017.

A Liga I com 14 clubes

Nesta temporada, os últimos seis dos 18 clubes da Liga I serão rebaixados. Exatamente um terço dos times. E apenas os campeões das Séries 1 e 2 da Liga II vão subir, deixando o campeonato com 14 times. No entanto, uma fase extra será disputada após turno e returno. Os sete primeiros disputarão o Play-Off, com jogos em turno e returno. Os sete últimos, o Play-Out. As pontuações dos clubes na fase do “todos-contra-todos” serão reduzidas pela metade e transferidas para a fase seguinte. Se um time conquistar menos que 15 pontos nos 26 jogos da primeira fase, será rebaixado automaticamente com punições para a temporada seguinte.

Com cada time disputando 26 jogos na primeira fase, mais 12 nas fases de Play-Off e Play-Out, a temporada terá 38 jogos para cada clube, quatro a mais do que a a Liga I no formato de 18 times, com 34 jogos por clube.

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