Koishihara com a camisa da Romênia e sua filha, Emiri, com a da Ucrânia: família cosmopolita
Koishihara com a camisa da Romênia e sua filha, Emiri, com a da Ucrânia: família cosmopolita (foto: Arquivo pessoal/Hidehiro Koishihara

Na região de Kyushu, ao sul do Japão, há uma cidade montanhosa de 1,5 milhões de habitantes chamada Fukuoka, e lá, vive Hidehiro Koishihara, de 40 anos, chefe de contabilidade de um restaurante, com sua esposa ucraniana e uma filha de quatro anos. E se perguntar sobre times de futebol, ele não vai dizer que torce para algum clube do campeonato japonês, ou mesmo para os times ucranianos. Há 12 anos, a paixão de Koishihara é o Steaua Bucareste. Nem os Titãs, na música Disneylândia, imaginariam versos assim: “japonês casado com ucraniana é apaixonado pelo futebol romeno e torce para o Steaua”

A paixão pelo fotbal e o aprendizado do idioma vieram de uma outra paixão, antiga, quando acabou se apaixonando, há 14 anos, por uma romena da cidade de Pitesti que trabalhou no restaurante onde Koishihara trabalha até hoje. “Eu comecei a me interessar por futebol romeno, pela cultura romena, e pelo idioma. Antes, eu só sabia do Hagi, da Generatia de Aur [geração de Hagi, Popescu & cia de 1990 a 1998] e o nome do Steaua”. E o gosto pelo time veio naturalmente, à medida em que ele procurava saber mais sobre o futebol do país. “Você sabe que a grande mídia romena fala praticamente só do Steaua. Era então o time que mais conhecia, e fui torcendo naturalmente”, justifica. O amor pela romena acabou durando cerca de um ano, mas o amor pela Romênia continuou.

Koishihara continuou aprendendo cada vez mais, e para acompanhar de verdade o futebol romeno, teve que se arriscar no idioma, que hoje está na ponta dos dedos quando tecla no computador: “Eu havia estudado um pouco de italiano na época do ensino médio, e percebi que a gramática do romeno era parecida. Aí, tive os colegas romenos no restaurante e ia tentando falar a língua. Cheguei a comprar e ler livros de gramática do idioma e fui aprendendo mesmo”, lembra o japonês.

Apesar de Alex Chipciu ser seu jogador preferido no elenco atual do Steaua, Hidehiro Koishihara é fã de outros dois jogadores que qualquer torcedor conhece muito bem: o meia Nicolae Dica e o zagueiro-artilheiro Mirel Radoi, que atuaram juntos de 2004 a 2009 são os melhores que o Koishihara já viu jogar. Ele acompanha as partidas por streamings da internet e paga pay-per-view online para as do time do coração. De tantas partidas, ele tem as preferidas: “O melhor jogo foi das oitavas-de-final da Copa da UEFA 2004-05, com o Valência. Depois de ter perdido fora por 2×0, no Ghencea o Andrei Cristea fez 2×0, e depois ganhamos por 4×2 nos pênaltis! E as duas partidas contra o Standard Liége, em 2006-07, quando depois de dez anos, o Steaua voltou à fase de grupos da Champions. Pra mim foi fabuloso, porque o torneio é transmitido no Japão. Vi todos os jogos do time na minha TV de 50 polegadas!”

E como todo torcedor, Koishihara tem a camisa do time, da temporada 2004-05. “Já encomendei a camisa com o patch da Champions League e até canecas”, conta o japonês numa entrevista toda conversada no idioma romeno. Mas, apesar de ser um ros-albastru, ele não vê problema em ter camisas de outros times romenos, e até rivais: em sua coleção, também tem camisa de Dinamo, Rapid, National (hoje Progresul Bucareste) e do Universitatea Cluj. “Claro que por causa da minha esposa também gosto da Ucrânia, então tenho camisas do Dinamo Kiev [que eliminou o Steaua na Liga Europa em 2014], do Shakhtar Donestk e da seleção ucraniana”.

Mas nem só de Steaua vive Hidehiro Koishihara. O japonês também simpatizou e acompanhou outras equipes que viu jogar nestes mais de dez anos acompanhando o futebol romeno, entre eles, o FC Universitatea Craiova: “Eu gostava do Craiova em que jogaram os irmãos [Florin e Mihai] Costea, [Valerica] Gaman, [Andrei] Prepelita… Também acompanho um pouco o Astra, porque um jogador japonês está lá [Seto Takayuki]. E outras equipes que gosto também são o Sportul Studentesc e o Pandurii”.

Atualmente, o clube passa por uma forte crise de identidade e pode perder escudo, cores e nome para o Exército, se descaracterizando completamente como o time multicampeão. Mas mesmo se tudo der errado, Koishihara vai continuar com o clube de Gigi Becali, político e empresário condenado a prisão por lavagem de dinheiro em transferências de jogadores em março deste ano. “O Exército só quer dinheiro. Se o Gigi pagar, tudo se resolve, mas eu sei que ele não vai pagar. Se o Steaua do Gigi perder, eu fico com este Steaua, ainda assim, por todos os sucessos nos últimos anos, que são mérito dele também. O Steaua é Steaua, mesmo se perder o vermelho e o azul”, afirma.

E quando o assunto é futebol japonês, ele não tem um time pelo qual se declara torcedor, mas gosta do Avispa Fukuoka, time da cidade onde nasceu e onde vive. O clube atualmente disputa a segunda divisão nacional e também já teve ligação com a Romênia. Pavel Badea, ex-jogador do FC Universitatea Craiova e ex-presidente do CS U Craiova, jogou no Avispa em 2001-02 na primeira divisão, justamente na época em que Koishihara começava a aprender sobre a Romênia.

Koishihara ainda não teve a oportunidade de viajar à Romênia. Em duas ocasiões, ele até que chegou perto. Foi para a Ucrânia, país fronteiriço com a Romênia, para visitar a família de sua esposa na cidade de Zhitomir, no centro-oeste do país. Ir a Bucareste, entrar no estádio Ghencea, torcer das arquibancadas e ver os ros-albastrii entrando em campo ainda é um sonho que continua vivo para o torcedor do outro lado do mundo.

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