O 2014 romeno, parte um: o ano de Craiova

O ano de 2014 é o primeiro que O Craiovano acompanhou o futebol romeno como um todo. Se em 2013 o foco foi o FC Universitatea Craiova e a Série 2 da Liga II, 2014 teve mais seleção, mais Liga I, mais Champions, mais Liga Europa, mais Copa da Romênia. E claro, também teve Craiova, com a segunda “extinção” do FC Universitatea Craiova e a ascensão do projeto CS Universitatea. Ou seja, O Craiovano conseguiu fazer uma cobertura mais ampla, a ponto de conseguir organizar uma breve retrospectiva do futebol romeno, e ainda arriscar apontar quais foram os melhores e os piores de 2014. De tanto conteúdo, decidimos dividir em quatro partes temáticas (Craiova, futebol nacional, seleção romena e prêmio Craiovano), para você vai relembrar pelos próximos dias dos principais momentos que marcaram o fotbal.

 

FC Universitatea Craiova: agonia, falsas esperanças, cansaço e o fim

O elenco se uniu para tentar aguentar até o final da temporada, mas não havia condições (foto: Lucian Sandu/Editie Speciala)
O elenco se uniu para tentar aguentar até o final da temporada, mas não havia condições (foto: Lucian Sandu/Editie Speciala)

Mesmo terminando 2013 em alta na tabela (4º lugar, com elenco limitado, salários atrasados e sem condições de trabalho adequadas), o FC Universitatea Craiova começou 2014 sem saber se poderia terminar o ano. Com muitos problemas financeiros, alguns jogadores ameaçavam não voltar após a intertemporada, e teve gente que não voltou mesmo, caso do brasileiro Jorginho Mesqueu e do atacante australiano Michael Baird, que foi para o futebol semi-profissional de seu país e ainda trabalhou como (isso mesmo) caminhoneiro.

Adrian Mititelu, pobre e sabotado pela Prefeitura de Craiova (o FC U Craiova estava impedido pela prefeita Lia Olguta Vasilescu de jogar em Craiova e mandava seus jogos no Estádio Municipal de Drobeta Turnu-Severin), tentou resolver o problema ainda em janeiro, quando o time esteve bem próximo de acabar, trazendo em 23 de janeiro o empresário e político Marin Condescu, um dos responsáveis pela ascensão do Pandurii Târgu Jiu da Liga III até a Liga Europa. Condescu pretendia demitir o técnico italiano Nicolò Napoli para trazer Emil Sandoi, atual técnico do CS U Craiova. A pressão da torcida fez com que Napoli fosse mantido no cargo, e muitas contratações fossem anunciadas, com a falsa esperança de que Condescu trouxesse dinheiro para manter o clube e os jogadores, e até mesmo que CSU e FCU se fundissem. Nada feito. Condescu e Mititelu se desentenderam até o ponto de a situação ficar insustentável. A parceria durou menos de um mês, e com o fim, nenhum dos jogadores prometidos se manteve no clube. A situação começava a ficar insustentável.

FCU treina próximo a cemitério na comuna de Leamna, em Dolj: time agonizou até a morte em 2014 (foto: Gazeta de Sud)
FCU treina próximo a cemitério na comuna de Leamna, em Dolj: time agonizou até a morte em 2014 (foto: Gazeta de Sud)

Em 21 de fevereiro, já com Condescu deixado de lado, Mititelu inexplicavelmente demite Nicolò Napoli, o que pode ser, sem dúvidas, considerado o começo do fim. O inexperiente Stefan Nanu, que estava no lanterna da Série 2 da Liga II, Minerul Motru, chega, com apenas 16 jogadores disponíveis no elenco. No dia 25, estes jogadores, liderados pelo capitão Madalin Ciuca, pelo vice-capitão Robert Saceanu e pelo então auxiliar técnico Dragos Bon, finalmente decidem desistir, após oito meses sem receber salários. Porém, já no dia 28, Mititelu convence os jogadores a ficar, sob o comando técnico de Bon, pois Nanu havia ido para o Farul Constanta. Desnecessário. Mesmo com a tentativa dos torcedores fundando uma associação para arrecadar fundos e tentar manter o clube, naquela altura, ninguém mais tinha forças para lutar por nada.


Jogadores do FCU desistem após quase um ano sem receber salários

Mesmo tendo alguns reforços pontuais apenas para compôr um elenco que ficou com 24 atletas, time estava sem tempo para treinar de forma adequada e voltar a forma. Assim, os jogadores do FC Universitatea Craiova se recusaram a jogar o primeiro jogo oficial de 2014. A equipe perdeu por W.O. pela primeira vez na história. O vencedor foi o Olt Slatina. Após um empate em 0x0 contra o Bihor Oradea, mais três derrotas: 1×0 contra o Râmnicu Vâlcea, 3×2 contra o Mioveni em Severin e 3×0 para o Gloria Bistrita, o FC Universitatea Craiova se distanciou do G6 para brigar pelo acesso, chegando à 9ª posição entre 12 clubes. Desta vez, foi o próprio Adrian Mititelu que desistiu. Em 27 de março, ele anunciou a desistência da equipe da segunda divisão romena. Os jogadores, no entanto, mantinham seu vínculo contratual porque o clube não havia falido e nem acabado juridicamente, e então, tiveram que recorrer à justiça para romperem os contratos e poderem assinar por outras equipes. no segundo semestre, os principais jogadores do elenco já tinham novas equipes: Madalin Ciuca disputa a Liga II pelo Metalul Resita, Robert Saceanu joga no Podari, da Liga III, onde Dragos Bon é o técnico. Ionut Mirzeanu e Claudiu Balan foram para o Mioveni, Milan Mitic para o CSMS Iasi, Sorin Busu para o Caransebes, Vasile Gheorghe para o Otelul Galati, e o zagueiro marfinense Stephane Acka foi para o outro lado da força, o CS Universitatea Craiova.

CS Universitatea Craiova: turbulência, primeiro título, mais turbulência e o sucesso

Sob o comando de Ovidiu Stinga, o CS U Craiova havia encerrado 2013 em alta, na liderança da Série 2 da Liga II, mas 2014 não começou bem. Com uma derrota para o Târgu Mures e apenas um empate contra o fraco Olimpia Satu Mare, Stinga balançou no cargo, mesmo recuperando o péssimo começo de Erik Lincar em 2013 e chegando a obter um aproveitamento de nada menos que 72,22%. Porém, especulações de que Stinga havia se reunido com Mititelu foram a gota d’água. Stinga não confirmou os rumores, mas em 11 de março, o técnico se reuniu com Mihai Rotaru, um dos donos do clube, e em acordo bilateral, o contrato foi rescindido. O favorito ao cargo era Nicolò Napoli, que poderia se vingar da demissão injusta de Mititelu, mas por pressão da torcida, não foi o escolhido pela diretoria. O novo técnico foi anunciado no dia 17: Gavril “Gabi” Balint, ex-atacante do Steaua, campeão da Champions League de 1985-86.

O bom futebol praticado a partir do comando de Balint e o fim do FC Universitatea Craiova semanas depois seriam decisivos para o crescimento da torcida do CS Universitatea. Alguns torcedores só queriam um time para torcer, e mudaram suas convicções rapidamente. Outros, mais indecisos iam, pouco a pouco, decidindo pelo CSU. A resistência ia enfraquecendo, mas ainda se mantinha e se mantém com certa força, buscando um ainda utópico retorno do FCU. Mesmo com a migração de torcida, a resistência da imprensa e dos outros clubes para enxergar o CS U Craiova como o clube original fundado em 1948 é muito grande. Ilie BalaciAndrei Prepelita, os torcedores do Dinamo Bucareste e o técnico do Universitatea Cluj, George Ogararu, que o digam.

Os primeiros uniformes para 2014-15 foram motivo de revolta dos torcedores do CSU (foto: csuc.ro)
Os primeiros uniformes para 2014-15 foram motivo de revolta dos torcedores do CSU (foto: csuc.ro)

A chegada de Balint transformou o CSU em uma máquina na Liga II, que rapidamente garantiu acesso e título. O sucesso dentro de campo era tanto que em 27 de maio, o lateral-esquerdo Bogdan Vatajelu chegou a ser convocado para a seleção romena. Com o fim da temporada 2013-14, saía Balint e entrava Ionel “Jerry” Gane, técnico que recém havia saído do Corona Brasov, clube que ficou com a lanterna isolada da Liga I. Saía parte do elenco e entravam muitos reforços: Alexandru Mateiu, do Brasov, o volante brasileiro Madson, do Vaslui, o lateral-direito Ovidiu Dananae, ex-FC Universitatea e que estava no Apollon Limassol, do Chipre; o meia caboverdiano Nuno Rocha, do Marítimo, o zagueiro Stephane Acka, do FC Universitatea, os goleiros Catalin Straton, do Vaslui, e Cristian Balgradean, do Dinamo, e o atacante argentino Pablo Brandán. E isto só para citar alguns.

Porque, principalmente para quem é brasileiro, a grande contratação mesmo foi o “Messi do Mato Grosso”, Jean Chera. O jogador que era tido como jóia no Santos e às vezes tratado como mais valioso que Neymar chegou em 19 de junho na pré-temporada do CS Universitatea Craiova. E chegou errando. Ao postar uma foto sua no Instagram com o uniforme de treino da equipe, Chera indicou que estava no FC Universitatea Craiova. As expectativas romenas sobre o jogador de 19 anos se esgotaram rapidamente, e o clube anunciou sua dispensa dez dias depois. Em entrevista a’O Craiovano, Jean Chera negou ter sido dispensado, e afirmou que não houve acordo sobre as porcentagens em caso de uma eventual futura venda para outro clube.

Jean Chera ficou no CSU por dez dias e confundiu o time em que estava (imagem: reprodução)
Jean Chera ficou no CSU por dez dias e confundiu o time em que estava (imagem: reprodução)


Assim começou 2014-15 para o CSU (imagens: LookTV)

Enfim, o time não funcionou com Gane. Na primeira partida da temporada, derrota para o Rapid na Copa da Liga, com direito a uma falha sensacionalmente bizarra do goleiro sérvio Bojan Brac, titular absoluto na temporada anterior. E já que foi mencionado um momento bizarro, por que não mencionar outro? Os uniformes reservas, em amarelo-preto numa combinação Peñarol-Brasov que nada tem a ver com Craiova e o terceiro uniforme, verde. As opções caíram no desgosto da torcida, e os cartolas tiveram que mudar para o azul e o branco.


Madson marca o gol da primeira vitória do CSU na Liga I. Desde então, clube não perdeu mais. (imagem: LookTV)

Voltando aos fracassos de Gane: na Liga I, dois empates e quatro derrotas nas seis primeiras rodadas. Uma das derrotas, inclusive, foi uma sonora goleada de 5×0 para o Astra Giurgiu. A diretoria resolveu mexer, enfim, na comissão técnica. Saiu o treinador e, em 2 de setembro, foram apresentados ídolos do futebol da cidade: Sorin Cârtu e Emil Sandoi (que quase trabalhou com Mititelu quando Marin Condescu chegou), como novos técnicos. Pronto. A partir daí, o CSU não perdeu mais na Liga. Já são 11 jogos de invencibilidade, o time é taxado de sensação da Liga I e, na sexta posição, está a apenas quatro pontos do G3, que conquista as vagas para os torneios europeus. De quebra, a maior média de público da competição, com 8 mil torcedores. Mesmo com o desfalque do meia Nicusor Bancu (que quebrou tíbia e perônio esquerdos em 29 de outubro após entrada perigosa do zagueiro Alin Seroni, do Viitorul) e a queda nas quartas-de-final da Copa da Romênia para o Steaua em mais um “último jogo do Estádio Ion Oblemenco” (que teve muita festa, fogos e até show para uma despedida não confirmada), há muito que comemorar para quem foi para o lado do projeto da Prefeitura de Craiova.

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