Rapid e torcedor que jogou a casca de banana em Wellington não foram punidos como deveriam
Rapid e torcedor que jogou a casca de banana em Wellington não foram punidos como deveriam

A Liga Profissional de Futebol da Romênia (LPF) publicou hoje em seu site oficial as punições que impôs ao Rapid Bucareste e ao Concordia Chiajna pelo ato racista de um torcedor do Rapid, que atirou uma casca de banana no atacante brasileiro Wellington, do Concordia, após gritos imitando sons de macaco para o jogador. O Concordia, mandante da partida, foi punido com uma multa no valor de 15 mil Leus Romenos (equivalentes a pouco mais de R$10 mil), enquanto o Rapid perdeu apenas dois mandos de campo e terá de pagar multa de 22,5 Leus Romenos (equivalentes a pouco mais de R$15mil).

A LPF foi quase conivente com punições tão brandas ao Rapid, e totalmente omissa ao não comunicar nenhuma punição ao taxista Iacob Costache, torcedor que atirou a casca de banana em Wellington. Costache tentou justificar o injustificável em entrevista ao site esportivo ProSport: disse que foi uma resposta a gestos obscenos que Wellington fez à torcida da equipe visitante enquanto os torcedores do Rapid imitavam sons de macaco ao atacante.

Wellington perdoa e ainda promete presentear o racista

Hoje, Wellington se encontrou com Costache e perdoou o torcedor, Conforme a agência de notícias Mediafax, O jogador ainda prometeu presentar o taxista com uma camisa autografada. “Reconheço meu erro e peço desculpas. Quero me desculpar com você e te espero no Giulesti [estádio do Rapid] no jogo do returno, serei seu maior fã”, disse Costache a Wellington.os dois deverão participar de uma coletiva de imprensa ainda nesta semana.

Iacob Costache e Wellington em paz. Depois do episódio, o homem que atirou a casca de banana será presenteado com uma camiseta autografada (sic)

Faz sentido para Wellington, num país racista e preconceituoso como tem se mostrado a Romênia, que perdoar desta forma signifique voltar a ter bem-estar no país onde ele trabalha, talvez para evitar novos episódios como este. Mas para a luta contra o racismo em geral, parece um grande desserviço. O goleiro Aranha, do Santos, sabe melhor.

Rapid é conivente e omisso

Em comunicado oficial publicado ontem, o Rapid Bucareste se mostrou totalmente despreparado e omisso ao insulto racial. Logo o clube mais discriminado da Romênia por ser muito apoiado pelas etnias ciganas, que são marginalizadas da sociedade romena, é conivente com o que ocorreu na última sexta-feira, reiterando que se exime de qualquer responsabilidade porque Iacob Costache não estava no setor das outras torcidas do Rapid.

Na íntegra, o comunicado:

“Os jogadores, funcionários e dirigentes e toda a alma rapidista reprovam o gesto de um espectador que no jogo com o Chiajna, da décima rodada da Liga I, atirou uma casca de banana no jogador do Concordia, Wellington Carlos da Silva.

Estaos profundamente desgostosos com o fato de que em um jogo de nosso time, um jogador de futebol foi vítima de ataques racistas!!! Foi um gesto isolado, de um espectatos na arquibancada II do Estádio Concordia de Chiajna, lugar onde o acesso se fez só por convidados do time de Ilfov. Este espectador, mesmo se foi identificado pela imprensa, não faz parte torcida do nosso time.

Fazemos um esclarecimento que este gesto não se fez na área reservada aos torcedores da nossa equipe, que compraram ingressos, em uma daz arquibancadas do estádio de Chiajna. Mesmo se este gesto é condenável, ele não se fez num setor reservado aos torcedores do nosso time, mas sim em um outro setor do estádio, fato que exime as responsabilidades penais e esportivas, razão pela qual o clube FC Rapid Bucareste não pode ser acusado de racismo e nem se responsabilizar pelo incidente isolado na partida contra o Concordia Chiajna.

Consideramos que neste momento é importante que a pessoa responsável assuma a responsabilidade e estamos convictos que as autoridades responsáveis tomarão medidas para que este seja sancionado conforme a legislação nacional. Este foi um gesto individual de um espectador, que precisa responder o mais rápido possível ao rigor da lei!

Diretoria do clube Rapid Bucareste”
FRF faz campanha antirracismo

A Federação Romena de Futebol aproveitou o contexto para iniciar uma campanha antirracismo. Em um vídeo, Ciprian Marica (Konyaspor-TUR), Alexandru Chipciu (Steaua), Gabriel Torje (Konyaspor-TUR) e Dragoș Grigore (Toulouse-FRA) passam uma mensagem bastante genérica e leve sobre o tema. Na verdade, um vídeo fraco, que não transmite confiança e parece ser feito por quem não sabe ao certo a importância da causa. Ainda assim, é um começo.

Confira com legendas em português:

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