Simona Halep comemora a vitória na 2ª fase contra a britânica Heather Watson: A romena vai se tornando um ícone do esporte nacional (foto: Dominique Faget/AFP)
Simona Halep comemora a vitória na 2ª fase contra a britânica Heather Watson: A romena vai se tornando um ícone do esporte nacional (foto: Dominique Faget/AFP)

Apesar de a Romênia ter subido três posições na última atualização mensal do controverso ranking FIFA/Coca-Cola (chegou à 29º posição) e de a Liga I ter sido considerada a décima melhor de 2013 pela polêmica IFFHS, o futebol do país passa por um dos seus piores momentos. A seleção chegou à repescagem das eliminatórias da Copa do Mundo 2014 num grupo tranquilo, mas caiu ante a fraca Grécia em duas atuações pífias. Aliás, a Nationala não vai à Copa do Mundo desde 1998, em sua última participação. A última participação em Eurocopas foi em 2008, quando não passou para as quartas e não venceu nenhum jogo.

Nas ligas domésticas, há uma bagunça que a gestão recente de Razvan Burleanu na FRF tenta resolver. Clubes clonados, times fracos nas competições europeias, tapetões, corrupção, times tradicionais desaparecendo (Politehnica Timisoara, Universitatea Craiova, Arges Pitesti) e outros artificiais surgindo. Gheorghe Popescu, ídolo do esporte no país e cunhado de Gheorghe Hagi, foi preso por ter participado de esquemas ilegais de transferências. Uma crise tão profunda que afeta a moral de forma quase irreparável, explicando os públicos não mais que 10 mil pessoas, que se transformam em mais de 20 apenas com clássicos entre Dinamo e Steaua.

Ou seja, aponto estes fatos para mostrar que a Romênia precisa de um novo símbolo nacional, e não basta que sejam os medalhistas olímpicos a cada quatro anos. É bom que continue vindo medalhas de ouro em ginástica, judô, atletismo… Mas as próprias medalhas estão se esvaindo. Oito de ouro em Atenas 2004, quatro em Pequim 2008 e apenas duas em Londres 2012. Falta o ídolo, a figura do heroi que se via na seleção de futebol da década de 90. E há quem esteja, cada vez mais, chegando neste patamar, e que amanhã poderá tirar a atenção do precário futebol. Chego finalmente ao ponto deste texto. Falo da quarta melhor tenista do mundo, Simona Halep.

A jogadora de 22 anos vai disputar a final de Roland Garros em sua primeira final em Grand Slams contra a russa Maria Sharapova, atual sétima colocada no ranking. É a primeira final que ela disputa em um Grand Slam. De Seleção, Steaua e Dinamo, pouco ou quase nada. A imprensa romena não está falando de mais nada a não ser de Simona, que ganha cada vez mais espaço, principalmente após a vitória nas semifinais sobre a alemã Andrea Petkovic. Aliás, a tenista ganha cada vez mais atenção do mundo pela sua ascensão meteórica no ranking mundial da WTA (Women’s Tennis Association) que começou há quase um ano.

No início do ano passado, a  jovem romena de Constanta era a segunda melhor romena ocupando a 47ª posição no ranking da WTA. Em junho, venceu o Aberto de Nuremberg, de saibro, derrotando Andrea Petkovic na final, e o Topclay Open, de grama, derrotando no último jogo a então número 11 do ranking, a italiana Roberta Vinci. Simona venceu ainda em 2013 o Grand Prix de Budapeste, na Hungria, o Aberto de New Haven nos EUA, a Kremlin Cup e até o Torneio das Campeãs da WTA, batendo na final a sérvia ex-número 1 do mundo, Ana Ivanovic. Seis finais, seis vitórias em 2013. E neste ano, venceu o Aberto do Qatar, atropelando nada menos que três tenistas do Top 10 mundial.

Um ano depois desde o seu primeiro título de um torneio do circuito do WTA, Simona é uma das principais tenistas do mundo, que entra sempre como uma das favoritas nas competições. E claro, é a principal esportista romena na atualidade. Não tem pra jogador de futebol nenhum. Com 22 anos ainda, poderia até mesmo chegar no patamar de ícone nacional como é a ginasta Nadia Comaneci, talvez possa fazer o tênis do país ter um reconhecimento do patamar do que a ginástica tem, com uma popularidade mais parelha com o futebol. Não custa sonhar.

Uma vitória de Simona Halep contra a badalada Maria Sharapova em uma final de Roland Garros seria heroico, talvez épico. Seria sensacional para o hoje descrente e desacreditado povo romeno. Após a grande geração da seleção romena de futebol da década de 1990, de Nadia Comanici e das seleções de ginástica, uma nova heroína vai se consagrando. Simona Halep já é um ícone. Não vai entrar em queda livre se perder para Sharapova, não seria nada absurdo. Mas uma vitória entraria para a história. Do tênis, do esporte romeno, do esporte mundial.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s