România Mondiala: 1970 e o jogo decisivo contra o Brasil

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Da esquerda à direita: Neagu, Everaldo, Pelé, Lupescu e Fontana. A Romênia foi a equipe que mais marcou gols no Brasil na fase de grupos

A Romênia foi ao México em 1970 para fazer a sua quarta participação em Copas do Mundo, 32 anos após a sua última, em 1938. Desta vez, sem zebras como a eliminação para Cuba, sem convocação feita pelo rei como em 1930 e sem W.O nas eliminatórias como 1934. De fato, nas eliminatórias para 1970, a Romênia ficou em primeiro lugar do Grupo 1, que contava com a Grécia, Suíça e Portugal, que havia sido a sensação de 1966 com Eusébio. Havia apenas a vaga para o 1º lugar do grupo.

A estreia nas eliminatórias contra Portugal, em 27 de outubro 1968, foi um susto, uma derrota por 3×0 em Lisboa. Mas seria a único resultado negativo da Romênia na jornada rumo ao Mexico: Depois, vitória de 2×0 contra a Suíça em Bucareste e empate em 2×2 com os gregos em Atenas. No returno, 1×0 na Suíça, e a revanche contra Portugal também por 1×0, numa grande vitória em casa com o gol de Nicolae Dobrin. E, para fechar, novo empate com a Grécia em Bucareste, por 1×1. Oito pontos (já que na época uma vitória valia dois) conquitados em 3 vitórias, 2 empates e uma derrota.

No México

Junto com Brasil, Inglaterra e República Tcheca, a Romênia formava o Grupo 3 da Copa do Mundo de 1970, que teve quatro grupos para 16 seleções: nove da UEFA (Inglaterra, Bélgica, Suécia, Alemanha Ocidental, URSS, Romênia, Itália, Bulgária e Tchecoslováquia), três da Conmebol (Brasil, Uruguai e Peru), duas da Concacaf (El Salvador e México), uma da CAF (Marrocos) e outra da AFC/OFC (Israel). O grupo da Romênia poderia, sem dúvida, ser chamado de grupo da morte. Lá, estavam os dois últimos campeões mundiais de então (Brasil em 1962 e Inglaterra em 1966) e a tradicional Tchecoslováquia, vice-campeã de 1962.

O primeiro adversário da Nationala foi a Inglaterra, classificada automaticamente por ter vencido a Copa anterior, há exatos 44 anos, e dois dias no Estádio Jalisco de Guadalajara, o palco de todas as partidas do Grupo 3. A Romênia não jogou bem, e para impedir os ataques ingleses, apelava para faltas muito violentas. Aos 20 minutos do segundo tempo, a defesa foi finalmente furada. Alan Ball levantou para a grande área, Francis Lee desviou de cabeça, Geoff Hurst dominou e driblou Satmareanu sem dificuldades para então fazer o único gol da partida. Note no vídeo abaixo que a Romênia ainda não jogava toda de amarelo, e sim com bermuda azul e meiões vermelhos, como as seleções da Colômbia e do Equador. (Confira as fichas técnicas da partida ao final do texto).

A chance de recuperação veio na partida contra a Tchecoslováquia, em 6 de junho, mas logo aos cinco minutos do primeiro tempo, a Romênia saiu atrás no placar. Após cruzamento pela direita, Ladislav Petras acertou um bonito cabeceio para marcar. A virada foi feita só no segundo tempo. Aos sete minutos, o meia Radu Nunweiller fez belo passe para Alexandru Neagu, que se livrou da marcação e tocou na saída do goleiro. Aos 31, Neagu recebeu belo passe na entrada da grande área e foi derrubado. O juiz mexicano Diego de Leo marcou pênalti. Dumitrache cobrou no canto direito de Vencel e fez o gol da vitória.

Torres certamente esperava um jogo mais fácil contra a Romênia de Lucescu

O Brasil liderava o grupo ao final da segunda rodada, e Romênia e Inglaterra estavam empatadas com dois pontos, com os romenos em vantagem por terem marcado mais gols. E era justamente o Brasil de Pelé o próximo e último adversário da fase de grupos, quatro dias após a virada sobre os tchecoslovacos. E a Nationala chegou a dar trabalho. Em seis jogos disputados pela seleção brasileira, somente a Romênia e o Peru (nas quartas-de-final) marcaram dois gols.

O placar foi aberto por Pelé, numa bomba na cobrança de falta aos 19 minutos do primeiro tempo. Três minutos depois, jogada rápida pela esquerda de Paulo Cézar Caju, que cruzou para Jairzinho completar. 2×0. Mas quando se achava que o jogo poderia acabar em goleada, Dumitrache recebeu belo passe na entrada da área, e trombando com a zaga brasileira, ainda conseguiu finalizar na saída de Félix para diminuir a desvantagem aos 34 minutos.

No segundo tempo, Jairzinho cruzou da ponta direita no primeiro pau. Tostão fez uma jogada genial de chaleira e Pelé completou para deixar o placar em 3×1, aos 22 minutos. O segundo gol da Romênia saiu tarde, já aos 39. Satmareanu recebeu em profundidade na direita e cruzou. Dembrowski subiu mais que todo mundo para fazer 3×2. Mas não havia tempo para um empate. A seleção romena estava eliminada da Copa do Mundo de 1970, após lutar bravamente contra o Brasil. O resto da história para a seleção brasileira todo mundo conhece. A Romênia levaria mais 20 anos para voltar à um Mundial. O retorno foi feito na Itália, em 1990, no começo da melhor geração da história da Nationala.

Depois de 32 anos desde a última participação romena na Copa do Mundo, a base da seleção passou por grandes transformações. Steaua e Dinamo, fundados em 1947 e 1948, respectivamente, estão agora entre as principais potências do país, junto com o Rapid, que já tinha jogadores convocados em 1934 e 1938. A Era de Timisoara e Oradea já não existe mais, e há um espaço para o Steagul Rosu Brasov, o atual FC Brasov. Outros clubes tradicionalíssimos do futebol romeno também fornecem jogadores, como o UTA Arad, o Farul Constanta (ambos rebaixados para a Liga III 2014-15), Petrolul Ploiesti. A grande estrela daquela equipe era o meia Nicolae Dobrin, do Arges Pitesti. De drible rápido e fácil, foi o primeiro grande jogador romeno pós-2ª Guerra. Diferentemente das participações seguintes (1990, 1994 e 1998), nenhum jogador atuava fora do país, que em 1970 vivia os primeiros anos do governo comunista de Nicolae Ceausescu.

Goleiros:
1 – Necula Răducanu (Rapid Bucareste), 24 anos
21 – Stere Adamache (Steagul Roşu Braşov), 28 anos
22 – Gheorghe Gornea (UTA Arad), 25 anos
Zagueiros:
3 – Nicolae Lupescu (Rapid Bucareste), 29 anos
14 – Vasile Gergely (Dinamo Bucareste), 28 anos
15 – Ion Dumitru (Rapid Bucareste), 20 anos
20 – Nicolae Pescaru (Steagul Roşu Braşov), 27 anos
Laterais-direitos:
2 – Lajos Sătmăreanu (Steaua Bucareste), 26 anos
12 – Mihai Ivăncescu (Steagul Roşu Braşov), 28 anos
Laterais-esquerdos:
13 – Augustin Deleanu (Dinamo Bucureste), 25 anos
4 – Mihai Mocanu (Petrolul Ploieşti), 28 anos
Meio-campistas:
5 – Cornel Dinu (Dinamo Bucareste), 21 anos
6 – Dan Coe (Rapid Bucareste), 28 anos
7 – Emerich Dembrowski (Dinamo Bucareste), 24 anos
10 – Radu Nunweiller (Dinamo Bucareste), 25 anos
16 – Alexandru Neagu (Rapid Bucareste), 21 anos
17 – Gheorghe Tătaru (Steaua Bucareste), 22 anos
8 – Nicolae Dobrin (Argeş Piteşti), 22 anos
Atacantes:
9 – Florea Dumitrache (Dinamo Bucareste), 22 anos
11 – Mircea Lucescu (Dinamo Bucareste), 24 anos
18 – Marin Tufan (Farul Constanţa), 27 anos
19 – Flavius Domide (UTA Arad), 24 anos

Quantidade de jogadores por cidade/clube:

Bucareste: 14
Dinamo: 7
Rapid: 5
Steaua: 2
Brasov: 3
Steagul Rosu Brasov
Arad: 2
UTA Arad
Pitesti: 1
Arges Pitesti
Constanta: 1
Farul Constanta
Ploiesti: 1
Petrolul Ploiesti

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Fichas técnicas das partidas:

Romênia 0x1 Inglaterra Estádio Jalisco, Guadalajara, Jalisco, México. Terça-Feira, 2 de junho de 1970
Público: 50.560

Romênia: Adamache; Satmarenu, Lupescu, Dinu, Mocanu; Dumitru, Nunweiller, Dembrowski, Tataru (Neagu 29′-2ºt); Dumitrache e Lucescu [c]
Técnico: Angelo Niculescu

Inglaterra: Banks; Newton (Wright 6′-2ºt), Cooper, Mullery, Labone; Moore [c], Lee (Osgood 32′-2ºt), Ball, R. Charlton; Hurst e Peters
Técnico: Alf Ramsey

Trio de arbitragem: Vital Loraux (Bélgica), auxiliado por Roger Machin (França) e Diego de Leo (Itália)

Gol: Geoff Hurst (20′-2ºt)

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Romênia 2×1 TchecoslováquiaEstádio Jalisco, Guadalajara, Jalisco, México. Sábado, 6 de junho de 1970
Público: 56.818

Romênia: Adamache, Satmareanu, Lupescu, Dinu, Mocanu; Dumitru (Gergely 37′-2ºt), Nunweiller, Dembrowski, Neagu; Dumitrache e Lucescu [c] (Tataru 25′-2ºt)
Técnico: Angelo Niculescu

Tchecoslováquia: Vencel; Dobiáš, Migas, Horváth [c], Zlocha; Kvašňák, Kuna; B.Veselý, Petráš, Jurkanin (Adamec – int) e Jokl (Veselý 22′-2ºt)
Técnico: Joseph Marko

Trio de arbitragem: Diego de Leo (México), auxiliado por Gyula Emsberger (Hungria),Vital Loraux (Bélgica)

Gols: Ladislav Petráš (5′-1ºt), Alexandru Neagu (8′-2ºt), Florea Dumitrache (31′-2ºt)

___________________________________

Brasil 3×2 Romênia – Estádio Jalisco, Guadalajara, Jalisco, México. Sábado, 10 de junho de 1970
Público: 50.804

Brasil: Félix; Carlos Alberto Torres [c], Brito, Piaza, Everaldo, (Marco Antônio 11′-2ºt); Clodoaldo (Edu 29′-2ºt), Gerson, Paulo Cézar Caju; Pelé, Tostão e Jairzinho
Técnico: Zagallo

Romênia: Adamache (Răducanu 28′-1ºt); Sătmăreanu, Lupescu, Dinu, Mocanu; Dumitru, Nunweiller, Dembrowski, Neagu Dumitrache (Tătaru 27′-2ºt) e Lucescu [c]
Técnico: Ângelo Niculescu

Trio de Arbitragem: Ferdinand Marschall (Áustria), auxiliado por Ramón Barreto (Uruguai) e Vital Loraux (Bélgica)

Gols: Pelé (19′-1ºt e 22′-2ºt), Jairzinho (22′-1ºt), Florea Dumitrache  (33′-2ºt) e Emerich Dembrowski (39′-ºt)


		
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