Facut in Brazilia: A saga do atacante Vinicius Fabbron

No Milan, Fabbron e seu colega Anderson Montagnini foram bem recepcionados por ninguém menos que Seedorf (foto: arquivo pessoal)
No Milan, Fabbron (esq.) e seu colega Anderson Montagnini foram bem recepcionados por ninguém menos que Clarence Seedorf (foto: arquivo pessoal)

Em 2001, o londrinense Vinicius Fabbron começou a jornada para se tornar jogador de futebol profissional. Foi aos 12 anos, no PSTC, um clube da cidade voltado à revelação de jogadores e hoje disputa a segunda divisão estadual. E o garoto rodou bastante pelas categorias de base no Brasil. Dos 14 aos 15 anos, jogou no licenciado Matsubara, e então saiu do Paraná. Foi no Noroeste de Bauru que Vinicius jogou a sua primeira Copa São Paulo de Futebol Júnior. Não demoraria muito para o rapaz, então com 18 anos, sair do Brasil.

O presidente do Londrina na época, Dorival Pagani, chamou Vinicius, dizendo que poderia levá-lo para o Milan. O atacante desconfiou, mas decidiu ir. E realizou um sonho. E a partir daí, uma intensa saga pelo mundo do futebol. De jogador da base do Milan até os dias de imigrante ilegal no Omã. Vinicius Fabbron é um dos vários jogadores que caíram no papo dos empresários oportunistas e que lutam para se firmar no mundo profissional do futebol. Atualmente sem clube e sem saber se continua a carreira, o jogador de 25 anos contou sua história em entrevista exclusiva a’O Craiovano. Desde as categorias de base, o sonho no Milan, as desilusões e claro, sobre o clube que diz ser a sua casa: O Ceahlaul Piatra Neamt, que disputa a Liga I romena.

O Craiovano – Como você chegou ao Milan aos 18 anos?  
Vinicius Fabbron – O senhor Dorival Pagani, ex-presidente do Londrina, me conhecia, e me contou que tinha algo pra mim no AC Milan. Eu não acreditava, pois o futebol é um meio em que você tem muitas promessas. Mas o Pagani foi presidente na época do Elber [jogador revelado no Londrina que foi direto para o Milan e passou por Bayern de Munique, Lyon, Cruzeiro e pela seleção brasileira], e tinha realmente um bom contato na Itália. Aceitei, e aí as coisas começaram a fluir.

O Craiovano – Na época, quem também chegava no clube era o Alexandre Pato. Vocês chegaram a ser amigos?
VF – Fiquei alojado no CT Milanelo, em Carnago, uma cidadezinha do lado de Milão. Tinha muitos brasileiros no time principal: Ronaldo, Serginho, Dida, Kaká, seu irmão Digão, e o Cafu, que foi o que mais me ajudou. Todos me ajudaram, mas mais o Cafu. Quando eu cheguei, não acreditava, pois via os caras somente no PlayStation e na TV. Logo no primeiro dia, em que o time principal voltou de ferias, eu estava almoçando e o Seedorf entrou no refeitório e me perguntou: ‘Ei brasileiro, tudo bem?’ Eu nem acreditei que ele falava a mesma língua que eu, e muito menos que ele estava falando comigo. Aí eu respondi: ‘tudo…’ Ele perguntou se podia se sentar e almoçar junto. Eu pensei: se eu contar essa pros meus pros meus parceiros, eles não vão acreditar.

Vinicius Fabbron teve o seu melhor momento no Ceahlaul (foto: Prosport)
Vinicius Fabbron teve o seu melhor momento no Ceahlaul (foto: Prosport)

O Craiovano – Por que você saiu do Milan para o Ceahlaul?
VF – Fiquei no Milan durante três 3 meses e meio encostado. Alguns empresários envolvidos na negociação foram chamados para negociar logo um empréstimo, mas ao invés de me ajudar, eles acabaram pedindo dinheiro demais, e o Milan não aceitou. Saí de lá muito triste, esperando que uma proposta para jogar nos juvenis da Udinese.  Foi quando surgiu a proposta do FC Ceahlaul, um clube de primeira divisão na Europa, e eu ainda jovem… Conversei com a minha família, e fui.

“Logo no primeiro dia, em que o time principal voltou de ferias, eu estava almoçando e o Seedorf entrou no refeitório e me perguntou: ‘Ei brasileiro, tudo bem?’ Eu nem acreditei que ele falava a mesma língua que eu, e muito menos que ele estava falando comigo. Ele perguntou se podia se sentar e almoçar junto.

O Craiovano – Você conheceu o Roberto Ayza, vocês se tornaram amigos?
VF – Ele foi uma das grandes pessoas que conheci, muito gente boa, me ajudou muito no começo e desde que cheguei lá, dificilmente não tem um dia em que não nos falamos, isso até hoje.

O Craiovano – Foi bom o seu período no Ceahlaul, você conseguiu mais amizades?
VF – Eu tenho muitos amigos no Ceahlaul que jogaram comigo. Sempre tive um bom tratamento por lá, é um lugar que vai ficar marcado pelo resto da vida. Aprendi muitas coisas, não somente do futebol, mas da vida mesmo.

O Craiovano – Você chegou a jogar contra o Universitatea Craiova enquanto esteve no Ceahlaul?
VF – No Ceahlaul eu fiquei por cinco anos [2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, este último já emprestado], três na na primeira divisão e dois na segunda, e fui campeão nestas duas vezes… Joguei com o Craiova três vezes, foram dois empates e uma vitoria. É um time muito complicado de jogar, sempre tem bons jogadores.

Fabbron estreou no Zimbru com o gol de empate fora de casa contra o Milsami Ursidos (foto: Radu Lisita)
Fabbron estreou no Zimbru com o gol de empate contra o Milsami Ursidos, fora de casa (foto: Radu Lisita)

O Craiovano – Depois do Ceahlaul, você foi emprestado pro Zimbru Chisinau, da Moldávia. Como foi a sua passagem por lá, por que foi emprestado?
VF –
No final da segunda temporada na segunda divisão [2010-11], recebi uma proposta do Zimbru Chisinau que seria muito boa para o clube e para mim. Fui a Chisinau, mas lá tive vários salários atrasados, infelizmente. Aí o Ceahlaul usou boa parte do dinheiro ganho pra me levar de volta.

O Craiovano – Do Zimbru, você foi para o Real Cartagena, que na época estava segunda divisão da Colômbia. Você ganhava mais no Zimbru, ou no Real?
VF –  Na verdade, eu saí do Zimbru e voltei para onde sempre considerei que era a minha casa, o Ceahlaul. Mas não tive uma passagem muito boa na última temporada, e acabei tendo o contrato rescindido.  Voltei ao Brasil e recebi uma proposta do Real Cartagena. Mas lá, peguei o clube já em falência, sem condições de pagar salários. Apesar de querer muito jogar lá na Colômbia, fiquei pouquíssimo tempo. Queria esta experiência porque também seria uma vitrine aos clubes grandes do Brasil.

O Craiovano – Os registros na internet apontam que o último clube pelo qual você passou é o PSTC, do Paraná, no ano passado. O que aconteceu depois do PSTC?
 VF – Com as janelas de transferência fechadas na Romênia, voltei ao PSTC, que me recebeu de braços abertos. Joguei lá no ano passado, mas logo depois voltei à Romênia, jogando a pré-temporada no Gloria Buzau. Recebi uma proposta muito boa em Omã [do Al-Nasr SCSC]; Não tinha nada assinado com o clube romeno, então eles entenderam e me deixaram ir. Chegando lá, caí em uma armadilha de um empresário chamado Metry Usama. Ele me enviou a carta do clube de lá, mas a promessa dele não existia, fiquei sem clube. Tive que fazer um teste e fiz, deu certo. Mas este “agente” insistiu em me sacanear, e me deixou lá sem visto, e com uma dívida grande com o país. Por cada dia sem visto eu recebia uma multa equivalente a R$57. E fiquei ilegal lá por quatro meses, pois pensei que tinha visto de quatro meses, e era somente de dez dias.

O Craiovano – E você agora está sem clube? 
VF – Eu agora estou sem clube.. Talvez eu até pare de jogar futebol, por causa do que aconteceu em Omã. Não foi a primeira vez que aconteceu de um empresário me enganar, de ferir não somente a mim, mas à minha família, que sofreu por mim em todos os momentos. Então, por enquanto, decido dar somente um tempo, porque ainda tenho mercado no futebol romeno.

“Por cada dia sem visto eu recebia uma multa equivalente a R$57. E fiquei ilegal lá por quatro meses, pois pensei que tinha visto de quatro meses, e era somente de dez dias.”

O Craiovano – Vinícius, muito obrigado pela entrevista!
VF – Queria que agradecer o espaço a você, e também agradecer à minha esposa e à minha família inteira, que sempre estiveram ao meu lado.

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Um comentário em “Facut in Brazilia: A saga do atacante Vinicius Fabbron

  1. vinisius vose e uma pesoa muinto especial y deus vai te dar uma nova oportunidade teña confianza ele te ama y vose teim muinto talento y e uma pesoa muinto especial para nosa familia obrigado por tudo oque fes pe lo lucas nos momentos que ele mas persiso vose estava com ele deus esta do teu lado amigo forza nos te queremos muinto bendicoins

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