Facut in Brazilia: O Craiovano entrevista o brasileiro Roberto Ayza, do Mioveni

Roberto Ayza joga sua 4ª temporada pelo Mioveni (foto: GSP.ro)
Roberto Ayza joga sua 4ª temporada pelo Mioveni (foto: GSP.ro)
Ayza jogou pelo Bihor Oradea, em 2008-09 (foto: Site oficial Bihor Oradea)
Ayza jogou pelo Bihor Oradea, em 2008-09 (foto: Site oficial Bihor Oradea)

O então adolescente Roberto Ayza Berça, paulista de Hortolândia, na região de Campinas, tentava realizar o sonho de ser jogador profissional de futebol quando seu pai, Hélio, lhe chamou para um recado direto: “Chega, procura um serviço e vai trabalhar”. Lá foi Roberto, campeão de juniores em Hortolândia e então jogador amador, procurar emprego. “Comecei a jogar o campeonato amador na cidade. Um empresário me viu jogando e quis me levar para um time profissional. Mas como no Brasil tudo é difícil, eram muitas promessas e nada de me profissionalizar. Parecia cigano, ficava três dias em um lugar, três dias em outro e nada”, lembra Roberto. O futebol ficou só para os finais de semana, quando chegava a jogar até cinco partidas em equipes semi-profissionais para poder complementar a renda.

A maré começou a mudar para o jovem de 23 anos quando foi para Joinville, em Santa Catarina, ainda para o futebol amador. Mas só aos 25, Roberto finalmente começou o seu sonho. Se profissionalizou no Caxias, de Joinville. Chegou a jogar o Campeonato Catarinense de 2005 sem receber. O contrato era só para o Catarinense, e assim que acabou o torneio, acabou a estadia de Roberto em Santa Catarina. Voltou para Hortolândia, mas não por muito tempo. O técnico do Caxias, Edson Roberto Vieira, responsável pela profissionalização, estava indo para o Londrina e levou Roberto junto. “Agradeço até hoje por ele ter acreditado em mim e ter me dado a oportunidade de me profissionalizar”, conta o jogador.  Ficou durante seis meses na tradicional equipe paranaense. Depois, foi para a Portuguesa Londrinense, já em 2006. Mais um contrato ia acabando, e nada da carreira de Ayza engrenar. Até que o presidente da época, Hélio Camargo, o chamou para perguntar se queria jogar na Romênia. Só faltava Roberto estar com as malas: “Quando que eu viajo?”

O destino: o FC Cetatea Suceava, clube pequeno da cidade de Suceava que em 2006-07 estava na Liga II. O clube foi rebaixado. Depois, Ayza passou pelo Ceahlaul Piatra Neamt, na Liga I. Outra temporada com rebaixamento. Em 2008-09, Bihor Oradea, na Liga II. O clube se manteve na segunda divisão, mas o brasileiro não se manteve no clube.

Então o meia foi para o Mioveni, onde finalmente se encontrou. É uma das referências na equipe que disputa a Liga II, e foi a responsável pela primeira derrota do FC Universitatea Craiova no campeonato. Desde maio de 2012, Roberto Ayza é casado com a jogadora de vôlei do Arges Volei, Gabriela Nita. Já acumula mais 100 jogos pela equipe verde-amarela.

Ayza aceitou de bate-pronto quando O Craiovano pediu uma entrevista. O meia de 32 anos falou sobre tudo: do início da sua carreira, de como saiu da Portuguesa Londrinense para o Cetatea Suceava, da temporada atual do Mioveni e até sobre o conflito em Craiova.

O Craiovano – Como surgiu a oportunidade de ir para o futebol romeno?
Roberto Ayza – 
Eu cheguei no Suceava por intermédio de um empresário. O presidente da Portuguesa Londrinense é amigo de um empresário na Romenia. E por intermédio dele fui parar no Cetatea Suceava. Não pensei muito e assinei o contrato.

OC – Por que sair do Brasil e ir para um clube pequeno como o Cetatea Suceava?
RA –
Quando surgiu a oportunidade de sair do Brasil, eu pensei mais na parte financeira porque no Brasil ganhava pouco. e a proposta do Suceava era melhor financeiramente.

OC –  Você já jogou com outros brasileiros na Romênia?
RA – 
Joguei sim, em três oportunidades. No Ceahlaul com o Vinicius Fabbron [ex-Real Cartagena, da Colômbia], no FC Bihor Oradea com o Erison Baiano [ex-Vasco, Universitatea Cluj e Politehnica Iasi] o Lucas Azevedo [ex-Amarante, de Portugal] e o Thomaz Donizete [ex-Cetatea Suceava]. No Gloria Bistrita com o Romario dos Santos [hoje no Petrolul Ploiesti], Marquinhos Moraes [meia das categorias de base do Vasco, hoje no Paulista de Jundiaí] e Laio Azeredo [ex-Botafogo, Duque de Caxias, hoje no Central-PE].

OC – Você jogou mais pelo Mioveni. É o seu clube preferido? E no Brasil, qual é?
RA – O Mioveni pra mim se tornou uma família, estou jogando aqui faz quase cinco anos,  tenho vários amigos aqui. Falo romeno fluentemente e isto facilitou muito a minha vida. Eu sou torcedor do Corinthians.

OC- Você teve uma rápida passagem pelo Gloria Bistrita em 2012, foi emprestado? Por quê?
RA – 
Na época o Mioveni tinha acabado de ser rebaixado para a 2ª divisão, e o Gloria Bistrita tinha voltado pra 1ª. Recebi uma proposta de jogar novamente a 1ª divisão, então resolvi aceitar e me transferir. Mas não foi uma experiencia muito boa, acabei ficando cinco meses sem receber e resolvi rescindir o contrato no meio da temporada, acertando minha volta ao Mioveni.

OC – Como está o Mioveni financeiramente? Estável, paga em dia?
RA – O Mioveni está passando por uma situação crítica de dinheiro. Estávamos com salários em dia, mas como começamos mal o returno do campeonato, a fonte secou (risos). Estamos com dois meses de salários atrasados, e não recebemos nenhum prêmio por jogo.

OC – Quais eram as expectativas do Mioveni no começo da temporada? Esperavam subir para a Liga I?
RA – 
Sempre quando começa uma nova temporada o objetivo é subir para 1ª divisão. Começamos mal a temporada, e esse objetivo ficou um pouco distante.

OC – Ainda dá para beliscar uma vaga nos play-offs?
RA –
Vamos tentar chegar no play-off, ainda temos chances matemáticas.

OC – O jogo deste sábado é contra o FC Universitatea Craiova. Em Pitesti, você jogou e o Mioveni ganhou de virada, por 2×1. Agora, em Severin, é possível ganhar de novo? Você vai jogar?
RA – Sim, vamos jogar contra o Universitatea Craiova.  Um time que merece respeito pelo passado que teve. Conheço o Madalin Ciuca e sou amigo do irmão dele, Silvian Ciuca [goleiro]. Ele joga comigo no Mioveni. Fizemos um bom jogo em casa, mas saímos atrás no placar. Depois que um jogador deles levou um cartão vermelho [Michael Baird], conseguimos reverter o placar. Agora tem o jogo de volta, vou jogar como titular. Eles não têm a mesma equipe que no primeiro turno, mas merecem respeito. Viemos de um resultado positivo com a vitória em cima do Gloria Bistrita e vamos confiantes de que podemos conseguir um bom resultado contra eles.

OC – Você conhece a situação do futebol de Craiova? O pessoal aí tem apoiado mais o CSU ou o FCU?
RA –
 Para eles existe um só clube, o Universitatea Craiova. O CSU é tratado como clone, como clube da prefeita. Na minha opinião, teria que se formar um só clube para os cidadãos de Craiova. O problema é que o Mititelu perdeu muito dinheiro quando excluíram o FCU do campeonato. Por isso ele tenta recuperar o dinheiro perdido em vários processos movidos contra a liga e contra a federação romena.

OC – Quais as diferenças entre o futebol romeno e o futebol brasileiro que você notou nestes quase oito anos?
RA – O futebol romeno é muito corrido, muito truncado. Existe muita força física. No Brasil o futebol é mais técnico, mais charmoso. Não é à toa que aqui na Romênia tá cheio de brasileiro, português, espanhol.

OC – Você pretende voltar para o futebol brasileiro?
RA – Em maio vou fazer 33 anos. No Brasil, com essa idade, é dificil conseguir um clube pra você jogar. Mas adoraria encerrar a carreira no Brasil, se pudesse.

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