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Fornade: “A crise afetou as finanças, a qualidade e a moral da imprensa” (foto: Prosport)

Alin Fornade ingressou na carreira de jornalismo enquanto cursava o terceiro ano da faculdade de Direito na Universidade Babes-Bolyai de Cluj, ao passar em um concurso para a Rádio Uniplus., em 1996. Em 1997, se formou em Direito, e passou pelos principais veículos dedicados ao jornalismo esportivo, mesmo sem diploma na área: “Por causa de crise financeira e pessoal que se passa, não estão se apegando aos diplomas”, lembra Fornade. Passou pela coordenação da edição da Transilvânia do jornal Pro Sport de 1999 a 2003, e  num cargo semelhante na edição da Transilvânia da Gazeta Sporturilor, de 2003 a 2008. Na Gazeta, foi colunista até 2011. Desde 2012 é colunista do Stiri de Sport.

Quando perguntei qual era o seu time, ele foi evasivo. “Sou torcedor do Craiova há   mais de 30 anos”, declara, mas sem especificar qual Craiova. Explicou que existem brechas nos documentos do FC Universitatea Craiova que permitem a discussão sobre a autenticidade legal do clube, controvérsias dignas de muitas longas discussões (tema que poderá ser tratado neste espaço em breve). Alin não se priva de admirar outras equipes de tradição no futebol romeno, como o Universitatea Cluj, o Rapid Bucareste e o UTA Arad. Em entrevista exclusiva a’O Craiovano, Fornade fala da transição de socialismo para o capitalismo no futebol romeno, e se diz num dilema ao falar sobre a Guerra Civil de Craiova.

O Craiovano – Como foi a transição do futebol romeno do socialismo ao capitalismo?
Alin Fornade – A transição do futebol romeno é semelhante à transição da sociedade romena em geral. Estávamos em um caos, e as regras eram escritas de qualquer jeito. Os clubes de futebol eram gerenciados pelos líderes do partido comunista até a Revolução. Os times de estudantes eram gerenciados pelas universidades ou pelo governo. Após 1990, os clubes se aproveitaram da liberdade de vender seus jogadores para a Europa Ocidental. Havia jogadores que eram vendidos pro futebol húngaro por simples produtos, como pó de sorvete, por exemplo. Os times quebraram financeiramente, e esta novidade de vender jogadores parou. E logo após a revolução, surgiram os empresários. Eles influenciavam, e influenciam, jogadores, técnicos, competições, jogos.  Os nomes deles podem ser encontrados na justiça, no chamado “Caso das Transferências” [escândalo de corrupção e sonegação fiscal nos clubes que resultou na prisão de Giovanni “Gigi” Becali (dono do Steaua), George Copos (político e empresário) e Cristi Borcea (presidente do Dinamo), e na liberdade condicional para Gheorghe “Gigi” Netoiu (ex-investidor do Dinamo e do FC Universitatea Craiova), Gheorghe Popescu (ex-jogador e atual candidato à presidência da FRF) e Jean Padureanu (presidente de honra do Gloria Bistrita)] . Na Copa do Mundo de 1990, na Itália, os empresários negociavam contratos na concentração da seleção, e se aproveitavam da falta de experiência dos dirigentes da Federação Romena de Futebol. Alguns jogadores se arrependeram de aceitar propostas tão rapidamente, pois jogaram bem na Copa e melhores ofertas chegavam logo depois.

OC – Bom, agora para o assunto principal, o futebol de Craiova. Acha que depois do CS U Craiova, outras equipes podem ser criadas (novos CS Dinamo, CS Steaua, CS Petrolul), proporcionando ocasiões similares com a de Craiova?
AF – É viável está hipótese. Pode ser uma ideia inteligente, mas também uma medida desesperada de proteger a honra de um clube  contra dirigentes que não valem nada. No caso do Steaua, por causa de Gigi Becali [Nota d’O Craiovano: Becali é um político e dirigente romeno conservador e ultranacionalista, proprietário do Steaua. Um Berlusconi romeno], houve especulações de que o Ministério da Defesa, que é a instituição que era dona do clube [no período comunista], quisesse criar um clube de futebol com o mesmo nome.

OC – O FC U Craiova tem muito mais torcedores, o CS U Craiova tem os grandes ídolos do passado. O que é mais importante para você? Na sua opinião, o que faz um clube ser legítimo, autêntico? Documentos, ídolos, torcedores, ou outros fatores?
AF – Eu sou torcedor do Craiova há mais de 30 anos. Para mim, Craiova é um estado de espírito, uma declaração de amor feita em público, sem se preocupar se os amigos ou vizinhos de consideram louco, Ídolos e torcedores indicam a legitimidade. Acredito no projeto CSU, mas me dói quando em vejo a paixão da equipe do [Nicolo] Napoli. O confronto direto de novembro foi uma tristeza extrema para mim. Espero que esta situação nociva não continue, esta situação que transforma amigos em inimigos. Temos as mesmas recordações, amamos as mesmas cores. É necessário encontrar uma solução para que nós fiquemos todos felizes.

OC – Acha que se Mititelu não fosse proprietário do FC U Craiova, o CS U Craiova apareceria?
AF – O CS U Craiova não teria aparecido se Adrian Mititelu não anunciasse que não inscreveria os Stiinta no campeonato. Se Mititelu tivesse tato e amor de verdade com este clube, Craiova não estaria na situação de hoje.

OC – Os torcedores do CS U Craiova eram torcedores do FC U Craiova até o ano passado. Por que eles mudaram de time de repente?
AF – Porque não suportam mais a humilhação, não se encontram na equipe de Mititelu. Não aceitam que os Stiinta estejam em um patamar abaixo do Steaua. Não aceitam a falta de uma estratégia coerente, isso torna o clube um negócio de família. Estão fartos de que o dono do clube sempre procure um culpado pelos seus resultados. E não devemos esquecer de que Mititelu tem dívidas enormes desde o momento da desfiliação, perdeu jogadores, não paga impostos e treinadores, não tem chance de ter a licença [financeira, para poder competir na Liga I].

OC – A fusão funcionaria?
AF – Até onde eu sei, nunca se falou de uma fusão. Tenho reservas sobre a união destas duas equipes, principalmente enquanto Adrian Mititelu estiver presente nos atos ou discussões. Eu queria estar errado, mas ele mostra todo dia o quanto ele é prejudicial.

OC – Como a imprensa romena se comporta sobre a Guerra Civil de Craiova?
AF – De forma lamentável. Eles ironizaram o projeto CSU e usaram Mititelu para aumentar audiência e fazer barulho. Sem Gigi Becali [que está preso], Mititelu se tornou o favorito dos talk-shows. A crise afetou as finanças, a qualidade e a moral da imprensa.

OC – Qual sua opinião sobre a vinda de Condescu a Craiova?
AF –  É possível que ele tenha vindo por orgulho de Craiova, para demonstrar que pode ser mais útil no futebol. Não sei por quanto tempo vai durar, já parece que Mititelu vê nele um obstáculo, e porque a relação entre os dois está muito frágil.

OC – Acha que as duas equipes podem conquistar o acesso?
AF – Somente o CSU vai subir, mas tem que ver se vão ter o direito de jogar a Liga I.

OC – Por que só o CSU?
AF – O FCU Craiova não sabe se terá a licença financeira e não vejo como será possível mobilizar os jogadores, que não são pagos. Além disso, nem as condições de preparação antes da volta da temporada são de um calibre de um time candidato ao acesso. Aliás, o FCU tem chances, só se Condescu ficar.

OC – Qual é a equipe verdadeira na sua opinião?
AF – Para mim, é a equipe que venceu o Steaua no Ghencea [estádio do Steaua] em 1989, que eliminou a Fiorentina duas vezes, que me fez ser orgulhoso por amá-la. Deixei de esperar que os tempos de glória voltem. Os ídolos escolheram qual é a equipe de verdade, eu não consigo me decidir. Enquanto houver dois clubes, me recuso a odiar uma equipe que tem as mesmas cores e lembranças.

OC – Como você descreveria os torcedores de CSU e FCU?
AF – São fanáticos. Mas os torcedores do CSU provavelmente têm uma certa idade, não acham que a história dos Stiinta começa com os irmãos Costea [Florin e Mihai Costea, irmãos atacantes que fizeram sucesso no FC Universitatea Craiova entre 2008 e 2011, período em que o clube ensaiava uma nova ascensão].

Vezi interviul complet în limba română:

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O Craiovano – Crezi ca dupa CS U Craiova, alte echipe poate a fi creata (nou CS Dinamo, nou CS Steaua, nou CS Petrolul) in Romania, creand ocazii similare cu cele la Craiova?
Alin Fornade – E viabilă această ipoteză. Poate fi şi rodul unor minţi viclene, dar şi o măsură disperată de a-ţi apăra blazonul terfelit de conducători nedemni. Nu apar din neant, au un arbore genealogic comun cu al formaţiei pe care o concurează. În cazul Stelei, din cauza exceselor lui Gigi Becali, s-a vorbit la un moment dat că Ministerul Apărării, instituţia care a patronat formaţia roş-albastră, ar dori să înfiinţeze o echipă de fotbal cu acelaşi nume.

OC – FC U Craiova are mai mult suporteri, CS U Craiova are idoli mari de trecut. Care este mai important pentru tine? In opinia ta, Ceea ce face ca un club să fie autentic sau legitim? Documente, idoli, suporteri, sau alt lucru?
AF – Eu sunt suporterul Craiovei de mai bine de 30 de ani. Pentru mine, Craiova e o stare de spirit, o declaraţie de iubire rostită în public, fără să-ţi pese dacă prietenii sau vecinii te consideră “nebun”, e un prieten cu care ai împărţit bucuriile (ce mult a trecut!) şi necazurile. Nu cred că spiritul poate fi întabulat, că amintirile mele au nevoie de drept de semnătură din partea nu ştiu cărui patron. Idolii şi suporterii îţi indică legitimitatea. Fotbalul nu e o simplă afacere. Nu operezi cu acţiuni, ci cu sentimente. Cred în proiectul CSU, dar mă doare când văd patimile formaţiei lui Napoli. Meciul direct din noiembrie a fost un moment extrem de trist pentru mine. Sper să nu mai dureze mult această situaţie nocivă, care-i transformă pe prieteni în inamici. Avem aceleaşi amintiri, iubim aceleaşi culori. Să-i forţăm pe cei care le folosesc să găsească o soluţie pentru a ne bucura împreună.

OC – Crezi ca daca Mititelu nu a fost patronul FC U Craiova, CS U Craiova ar aparea?
AF – CSU Craiova nu ar fi apărut dacă Adrian Mititelu nu anunţa că nu înscrie “Ştiinţa” în campionat. Dacă Mititelu avea tact şi iubea cu adevărat acest club, Craiova nu ar fi ajuns în situaţia de azi.

OC – Faniei CS U Craiova am fost suporteri FC U  – Craiova pana anul trecut. De ce ei am schimbat de echipa deodata?
AF – Pentru că nu au mai suportat umilinţele, fiindcă nu se regăsesc în echipa patronată de Mititelu. Nu mai acceptau ca “Ştiinţa” să fie vasalul Stelei, să nu aibă o strategie coerentă, să fie o afacere de familie. S-au săturat ca patronul să caute mereu câte un vinovat pentru rezultatele sale. Să nu uităm că Mititelu avea datorii uriaşe şi în momentul dezafilierii, pierduse jucători, nu plătise taxe şi antrenori, nu avea şanse să-şi ia licenţa. Massimo Moratti a avut înţelepciunea să facă un pas în spate când nu a mai avut potenţa de a finanţa Interul la nivelul pretenţiilor acestui club.

OC – Fuziunea ar functiona?
AF – Din câte ştiu, nu a fost vorba niciodată de o fuziune. Am rezerve în ceea ce priveşte unirea acestor două echipe cât timp e prezent Adrian Mititelu în discuţii sau în acte . Eu nu mai am încredere în el. Mi-am dorit să mă înşel, dar îmi demonstrează cu fiecare zi ce trece cât e de nociv.

OC – Cum presa romaniei se comporta despre “Razboi la Craiova”?
AF – A evoluat lamentabil. Au ironizat în permanenţă proiectul, s-au folosit de Adrian Mititelu pentru a provoca audienţă şi circ. În lipsa lui Gigi Becali, Mititelu a devenit favoritul moderatorilor. Criza a diluat moral, valoric şi financiar presa.

OC – Care este opinia ta despre Condescu la FC U Craiova?
AF – E posibil să fi venit din orgoliu la Craiova, să demonstreze că mai poate fi util în fotbal. Nu ştiu cât mai rămâne, déjà se pare că Mititelu a mai găsit un “vinovat” şi că relaţia e foarte fragilă.

OC – Crezi ce ambele echipe pot promova? De ce?
AF – Doar CSU va promova, dar rămâne de văzut dacă va primi drept de joc. FCU Craiova nu ştiu dacă va lua licenţa şi nu văd cum îşi va putea mobiliza jucătorii neplătiţi. În plus, nici condiţiile de pregătire dinaintea returului nu sunt de calibrul unei candidate la promovare. FCU are sanse doar daca ramane Condescu

OC – Care echipa este adevarata pentru tine? De ce?
AF – Pentru mine, este echipa care a învins Steaua în Ghencea în 1989, care a eliminat-o de două ori pe Fiorentina, care m-a făcut să fiu mândru că o iubesc. Nu am încetat să sper că timpurile frumoase se vor întoarce. Idolii au ales care e echipa adevărată, eu nu reuşesc să fiu tranşant. Cât timp vor exista două formaţii, refuz să urăsc o echipă care are aceleaşi culori şi amintiri. 

OC – Cum a descrie fanii a CSU si FCU?
AF – Fanatici! Cei care ţin cu CSU au probabil o anumită vârstă, nu consideră că istoria “Ştiinţei” a început cu fraţii Costea.

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