Ciuca em 2007-08, período das suas convocações para a seleção (Mediafax/Darius Mitrache)
Ciuca em 2007-08, período das suas convocações para a seleção (Darius Mitrache – Mediafax)

Ontem eu comentava com uma amiga minha o quão é difícil entrar em contato com pessoas dos times aqui de Florianópolis. Tanto Figueirense quanto Avaí se acham grandes do futebol e colocam diversos empecilhos para que um universitário faça uma entrevista. E falei para ela, enquanto times pequenos como a dupla de Floripa se prendem nesta arrogância, um dos maiores times de um país como o Universitatea Craiova é totalmente receptivo, humilde, acolhedor e respeitoso. É fácil se comunicar com a vida do clube e do elenco. E uma das maiores provas disso é o zagueiro e capitão do F. C. Universitatea Craiova, Madalin Ciuca. Bastante modesto e comunicativo, ele aceitou o meu pedido de amizade no Facebook e depois, o pedido para ceder uma entrevista a’O Craiovano, sem fazer cerimônia. Ele fala sobre a situação dos Stiinta, a polêmica do CS e até sobre futebol brasileiro.

Hoje casado com a administradora Dana Ciuca e com um pequeno filho, Madalin tinha o sonho de jogar no Universitatea Craiova desde a sua infância. “Eu sempre sonhei em jogar no Universitatea, como toda criança da Oltênia”, diz. Enquanto a geração Craiova Maxima desfilava o melhor futebol na Romênia, nascia Madalin Ciuca em 4 de novembro de 1982 na vila de Bailesti, que hoje é um pequeno município com cerca de 15000 habitantes, a 60km de Craiova. Aos dez anos, entrou para uma pequena equipe de Bailesti, e aos 14, foi para Craiova.

Ciuca foi revelado no pequeno Extensiv Craiova de 2000 a 2003, quando chegou ao Universitatea. Ele chegou a passar pelo FC Caracal em 2004-05 e pelo Gloria Bistrita de 2008 a 2010. Voltou aos Stiinta em 2010-11, e teve que se virar depois da exclusão de 20 de julho. Foi para o Gaz Metan Medias, da Liga I, e lá ficou até o final desta temporada, para retornar a um Universitatea Craiova que hoje é instável financeira e estruturalmente. Mas que ainda é seu clube do coração, e ele diz que é isto que o fez voltar.

O Craiovano – A defesa do Universitatea Craiova é a melhor de toda a série 2, com dois gols sofridos em cinco jogos. A que se devem estes bons números?
Madalin Ciuca – Nossa defesa possui bons jogadores, e temos um treinador Italiano que era zagueiro, e por isso valoriza a defesa. Mas não somos só nós defensores que estamos defendendo bem, é um trabalho em conjunto de toda a equipe.

OC – Por outro lado, o ataque não vai tão bem. São apenas cinco gols em cinco jogos, sendo que um foi gol contra. O que está faltando, na sua opinião?
MC – Meus colegas de ataque não estão bem fisicamente, na minha opinião. Eles vêm de um longo período sem jogar, mas espero que no returno eles possam jogar o que sabem de verdade.

Com 23 anos, Ciuca conquistou a Liga II 2005-06 e já carregava a braçadeira (foto: GSP.ro)
Com 23 anos, Ciuca conquistou a Liga II 2005-06 e já carregava a braçadeira (foto: GSP.ro)

OC – Você fez um golaço de falta contra o Olt Slatina. Costuma treinar este tipo de jogada?
MC – Sim, faço treinamentos na bola parada. Espero que não tenha sido o último gol.

OC – Acha que a equipe vai conseguir manter a invencibilidade por muito tempo?
MC – Eu espero que sim. Somos bastantes consistentes, mas sabemos que é uma tarefa difícil.

OC – Você teve proposta para continuar no Gaz Metan Medias, mas preferiu voltar. Por quê?
MC – Eu ainda tinha um ano de contrato em Medias, mas o FC Universitatea Craiova é irrecusável! E além do mais, eu não estava sendo muito aproveitado no Gaz Metan, desde o começo.

OC – Você recebeu propostas de outros clubes da Liga I?
MC – Não  conversei com outros clubes porque o pessoal de Medias também não queria que eu fosse pra outro clube além do Universitatea. Ouvi dizer que outros clubes quiseram me contratar, mas ficou tudo aqui por Craiova.

OC – Por que você foi para o Caracal e para o Gloria Bistrita?
MC – O Extensiv Craiova, onde fui revelado, acabou em 2004 e grande parte dos jogadores continuou o clube fundando o FC Caracal, um time que tinha uma estrutura de treino melhor naquela época. No caso de Bistrita, eu tive um desentendimento com o Mititelu.

OC – Você pode falar qual desentendimento?
MC – Posso sim. Eu era o capitão da equipe. Não estávamos recebendo salários, e eu precisava cobrar explicações. Tivemos uma discussão, e eu decidi que era melhor sair.

OC – O CS Universitatea Craiova tem levado muitos ídolos da Craiova Maxima para lá. O que você pensa sobre isso?
MC – Honestamente, acho que é por causa do dinheiro! Mas tenho certeza que em seus corações todos têm o FC em primeiro lugar! Tive conversas com alguns deles e já me confirmaram isso!

OC – Você considera que FC x CS é um clássico?
MC – Não é um clássico! Clássico é contra Steaua, Dinamo, Rapid…

Madalin Ciuca (último à direita) comemora o golaço de falta (Foto: Lucian Sandu - Editie.ro)
Madalin Ciuca (último à direita) comemora o golaço de falta (Foto: Lucian Sandu – Editie.ro)

OC – Como ficou sua situação depois da exclusão do clube? você tinha outras propostas?
MC – Para mim foi muito difícil, até porque foi um ano em que eu tive uma lesão muito séria [ruptura dos ligamentos do pé esquerdo num jogo contra o antigo Astra Ploiesti, pela 22ª rodada da Liga I em março de 2011] Recebi algumas propostas depois da exclusão e decidi ir pro Gaz Metan pela estabilidade financeira e porque na temporada seguinte o time jogaria a Europa League.

OC – Você iria para o Gaz Metan mesmo se o Universitatea Craiova não fosse excluído? O clube foi rebaixado naquele ano…
MC – Não! Eu tinha feito um acordo com o clube que eu continuaria mesmo na Liga II.

OC – Ainda há esperanças de o clube voltar ao Ion Oblemenco?
MC – Olha, a esperança é a última que morre… Mas vai ser difícil.

OC – Você pretende encerrar a carreira no Universitatea Craiova?
MC – Sim, este é o meu desejo.

OC – Você pretende ser convocado à seleção romena?
MC – Fui convocado duas vezes para a seleção [em 2007, jogando pelo Universitatea Craiova e em 2008 pelo Gloria Bistrita, nesta última substituindo o lesionado Cristi Oros, do Brasov], mas acho que não dá mais.

Ciuca na apresentação do elenco 2010-11 (foto: ProSport.ro)
Ciuca na apresentação do elenco 2010-11 (foto: ProSport.ro)

OC – A equipe tem tudo para subir para a Liga I, mas você acha que dá para ser campeão da Liga II?
MC – Não sei, muitas equipes têm chances de serem campeãs…

OC – Qual a sua visão sobre o futebol brasileiro?
MC – Assisto o Campeonato Brasileiro pela TV. Há grandes jogadores, mas na minha opinião, aí a concentração nas táticas não é tão forte quando na Europa. Acho que aí o futebol é jogado de forma mais ofensiva.

OC – Sendo um pouco tiete agora, o time sabe que existe um brasileiro que torce para o Universitatea Craiova e que tem um blog dedicado ao clube?
MC – Nós conversamos sobre você nos vestiários, e agradecemos muito por dedicar o seu tempo a nós.

OC – E eu agradeço pela atenção! Pretendo ir a Craiova a partir de 2015 para fazer um documentário sobre a história do clube. Posso contar com vocês?
MC – Sim, com certeza! Espero que nos encontremos na Liga I!

OC – E a sua versão no Pro Evolution Soccer? Gostou?
MC – Pois é, você apareceu na imprensa romena com o PES 2013 há algum tempo… Eu te agradeço muito! Muita saúde e sorte no que você faz, tenho muito respeito por isso.

OC – Muito obrigado! Madalin Ciuca, muito obrigado pela entrevista a’O Craiovano!
MC – Estou feliz se pude ajudar!

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